A Rússia realizou um novo ataque de alta tecnologia contra a Ucrânia, empregando um de seus mísseis mais avançados. Desta vez, o alvo foi uma região próxima à fronteira com a Polônia, um país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da União Europeia, elevando as preocupações sobre uma possível escalada do conflito.
Detalhes do ataque com tecnologia de ponta
Na noite de quinta-feira, 9 de março, as forças russas dispararam um míssil hipersônico do tipo Oreshnik em direção ao oeste da Ucrânia. A arma partiu de uma base na Rússia e percorreu a distância até a região de Lviv a uma velocidade superior a 12 mil quilômetros por hora. O impacto aconteceu próximo à fronteira com a Polônia, em uma estrutura subterrânea de gás.
O Oreshnik é um dos sistemas de armas mais temidos do arsenal russo. Sua capacidade de manobra e velocidade extrema o tornam extremamente difícil de ser interceptado pelas defesas antiaéreas convencionais. Este míssil pode carregar até seis ogivas convencionais, que podem ser liberadas separadamente durante o voo para atingir múltiplos alvos. Além disso, o sistema tem capacidade para transportar artefatos nucleares, embora apenas cargas explosivas convencionais tenham sido usadas nos ataques até o momento.
Um alerta estratégico para o Ocidente
Este não é o primeiro uso operacional do Oreshnik. Em novembro de 2024, a Rússia já havia utilizado este mesmo tipo de míssil para destruir uma fábrica militar na cidade de Dnipro, no centro da Ucrânia. No entanto, a escolha do alvo na mais recente investida carrega um forte simbolismo geopolítico.
Analistas de defesa interpretam o ataque como uma mensagem clara para a Europa e a OTAN. Ao atingir um objetivo tão próximo da fronteira polonesa, a Rússia demonstra que seu armamento hipersônico tem o alcance e a precisão para penetrar as defesas mais avançadas do continente europeu. Um especialista consultado pela reportagem afirmou que a ação funciona como um "alerta" sobre a vulnerabilidade dos aliados ocidentais diante dessa nova geração de armas.
Contexto mais amplo do conflito e diplomacia
O ataque com o míssil hipersônico foi parte de uma ofensiva mais ampla. Na mesma noite, a Rússia também empregou drones e outros tipos de mísseis contra diversas cidades ucranianas, incluindo a capital, Kiev. O saldo desses bombardeios foi a morte de quatro pessoas.
Enquanto a violência se intensifica no campo de batalha, as negociações diplomáticas seguem em ritmo lento. A Rússia ainda não se pronunciou sobre a última versão de um plano de paz mediado pelos Estados Unidos. Paralelamente, ucranianos, europeus e norte-americanos avançaram nesta semana nas discussões sobre as garantias de segurança para a Ucrânia no caso de um eventual cessar-fogo. O presidente ucraniano declarou que o texto desse acordo está praticamente finalizado e pronto para ser assinado, aguardando agora uma contrapartida de Moscou.
O uso repetido do míssil Oreshnik, especialmente em alvos de alto valor simbólico, sublinha a determinação russa em pressionar militarmente a Ucrânia e seus apoiadores ocidentais, enquanto as incertezas sobre um caminho para a paz permanecem.