As forças russas comandadas por Vladimir Putin realizaram um grande ataque aéreo contra a Ucrânia na noite de quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, utilizando o temido supermíssil balístico Orechnik. O artefato, projetado para guerras nucleares, foi lançado a partir da base de Kasputin Iar, na Rússia, e atingiu um alvo de alto valor estratégico: o maior depósito de gás subterrâneo da Europa, localizado em Strii, na região de Lviv.
O ataque retaliatório e o alvo estratégico
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, a ação foi uma resposta à tentativa ucraniana de atingir uma residência de verão de Putin com drones no final de dezembro. O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, negou a acusação e afirmou que Moscou busca tumultuar as negociações de paz em andamento com os Estados Unidos e a Europa.
O local atingido, o depósito de gás em Strii, fica a menos de 100 quilômetros da fronteira com a Polônia, país membro da Otan. Câmeras de segurança registraram os clarões da explosão às 23h46 no horário local. O ataque massivo empregou um total de 36 mísseis e 242 drones em várias regiões do país, causando a morte de pelo menos quatro pessoas em Kiev e levando a apagões generalizados.
O poderio do supermíssil Orechnik
O Orechnik (que significa "aveleira" em russo) é um míssil balístico de alcance intermediário, capaz de percorrer entre 550 km e 5.000 km. No ataque a Strii, suas ogivas atingiram o alvo a uma velocidade impressionante de Mach 11, ou 13.500 km/h, conforme registrado pelo Comando Oeste da Força Aérea ucraniana.
Vídeos feitos por moradores mostraram a reentrada na atmosfera de múltiplas ogivas em altíssima velocidade, envoltas em plasma incandescente. O míssil pode carregar até seis ogivas independentes, uma configuração típica para armas nucleares, que não foram usadas nesta ocasião. A detecção de seu lançamento é extremamente difícil, e a Ucrânia não possui interceptadores capazes de neutralizá-lo no espaço.
Contexto geopolítico tenso
O ataque ocorre em um momento de grande sensibilidade diplomática. Um dia antes, forças dos Estados Unidos apreenderam um petroleiro de bandeira russa que transportava petróleo venezuelano embargado. Além disso, as negociações de paz, mediadas por Donald Trump, seguem travadas, com a Rússia rejeitando publicamente a proposta de envio de uma força de paz franco-britânica para a Ucrânia.
O lançamento do Orechnik é visto como uma demonstração de força de Putin às vésperas de possíveis conversas diretas com o líder americano. O presidente russo já havia ameaçado usar a arma contra "centros de decisão" em Kiev em 2024. Recentemente, a Rússia anunciou a abertura do primeiro batalhão operacional do míssil em Belarus, colocando toda a Europa em seu alcance potencial.
Reações e consequências imediatas
Em resposta ao ataque, a chancelaria ucraniana convocou uma reunião de emergência com a Otan e o Conselho de Segurança da ONU na manhã de sexta-feira, 9 de janeiro. Uma unidade de segurança nuclear foi enviada ao local do impacto em Strii para procurar resíduos radioativos, mas nada foi encontrado.
O ataque também coincide com o iminente vencimento do último grande tratado de controle de armas estratégicas entre Rússia e EUA, marcado para 5 de fevereiro. Enquanto Putin ofereceu uma extensão, Donald Trump indicou que não aceitará, declarando ao New York Times: "Se expirar, expirou". Este tratado era um dos pilares do fim da Guerra Fria, e seu colapso pode levar a uma nova corrida armamentista.
Enquanto isso, Putin continua a defender a guerra na Ucrânia como uma "missão sagrada", elevando o tom beligerante em um momento em que o mundo aguarda um desfecho para o conflito que já dura anos.