Hungria elege novo primeiro-ministro que promete reaproximação com União Europeia
O futuro primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, reafirmou nesta segunda-feira (13) um compromisso central de sua campanha eleitoral: reaproximar o país da União Europeia. Seu partido, o Tisza de centro-direita, venceu as eleições parlamentares realizadas no domingo (12), encerrando assim 16 anos de poder do líder da extrema-direita Viktor Orbán.
Eleição histórica com participação recorde
Não foi uma eleição comum na Hungria. A derrota da extrema-direita foi amplamente celebrada, com uma mobilização eleitoral impressionante que resultou em participação recorde de 80%. Filas imensas se formaram em todo o país, demonstrando o engajamento da população húngara neste processo democrático crucial.
Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (13), o primeiro-ministro eleito, Péter Magyar, declarou exatamente o que a União Europeia tanto aguardava: "A Hungria será um parceiro construtivo no bloco, buscando acordos em vez de confronto".
Ruptura com o governo anterior
Magyar, que é advogado e ex-aliado de Viktor Orbán, rompeu publicamente com o governo anterior após denunciar casos de corrupção. Durante seu mandato de 16 anos, Orbán implementou políticas que:
- Limitaram direitos de minorias
- Restringiram a liberdade de imprensa
- Enfraqueceram o Judiciário
- Transformaram a Hungria em um problema constante para a União Europeia
O novo primeiro-ministro afirmou nesta segunda-feira que pretende "desmontar a corrupção em escala industrial" que, segundo suas palavras, impede a Hungria de receber bilhões em recursos da União Europeia.
Vitória expressiva com maioria parlamentar
Magyar conquistou uma vitória expressiva nas urnas. Seu partido, o Tisza, vai comandar 138 cadeiras no Parlamento, contra apenas 55 do partido de Orbán. Esta maioria de dois terços permitirá ao novo governo aprovar reformas constitucionais significativas.
A derrota contundente da extrema-direita húngara repercutiu intensamente por toda a Europa ao longo do dia. O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que "a Hungria provou que as democracias são resilientes". Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o resultado "representa um retorno da Hungria ao caminho europeu e uma vitória das liberdades fundamentais".
Reações internacionais e desafios futuros
O governo de Vladimir Putin, que mantinha relações próximas com Viktor Orbán, disse que está pronto para trabalhar com o novo primeiro-ministro, mas que "vai avaliar as ações, não só os discursos". A Hungria ainda depende significativamente da energia russa e, nos últimos anos, frequentemente bloqueou políticas favoráveis à Ucrânia.
Robert Laszlo, especialista de um centro de investigação política europeia, avaliou que esta não é uma simples troca de governo: "Acho que é uma virada de jogo que mostra que até líderes aparentemente muito fortes podem ser escanteados de uma hora para a outra".
Carolina Pavese, professora de Relações Internacionais, destacou que a vitória de Péter Magyar representa também uma vitória da União Europeia: "Essas eleições são marcadas por o que chamamos de um referendo. Mais do que uma eleição, era um referendo onde a população da Hungria escolheu a democracia contra um governo autocrático e escolheu a Europa contra outros aliados".
Segundo a especialista, esta mudança "possibilita a reentrada efetiva da Hungria como parte da integração europeia", o que deve destravar avanços importantes em agendas como a de segurança, sendo muito bem-vinda pela União Europeia.



