A divulgação de um áudio que expõe a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reacendeu no Congresso Nacional a discussão sobre a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. Tanto parlamentares da oposição quanto governistas defendem a instalação do colegiado para investigar as supostas fraudes bilionárias da instituição financeira.
Áudio revela cobrança de Flávio Bolsonaro
De acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (13) pelo portal Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro chamou Daniel Vorcaro de "irmão" em um áudio enviado em setembro do ano passado, no qual cobrava repasses de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A reportagem teve acesso a mensagens trocadas entre os dois e ao áudio. A TV Globo confirmou com investigadores e fontes próximas a veracidade do conteúdo.
Vorcaro, que está preso em Brasília, é acusado pela Polícia Federal de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões. As conexões políticas do banqueiro estão no centro das investigações.
Flávio Bolsonaro defende CPMI
Ao se defender das acusações, Flávio Bolsonaro voltou a pedir a instalação da CPMI para investigar o Banco Master. "Mais do que nunca é fundamental a CPI do Banco Master já. Vamos separar os bandidos dos inocentes", afirmou o senador.
Resistência de Alcolumbre
Apesar das pressões, o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), não instalou o colegiado na última sessão conjunta, realizada há duas semanas. Segundo o regimento, a criação de uma CPMI é automática quando há assinaturas suficientes, cabendo ao presidente apenas ler os requerimentos. O requerimento protocolado em fevereiro contava com 280 assinaturas (42 senadores e 238 deputados), superando o mínimo de 27 senadores e 171 deputados.
Ao não ler o requerimento, Alcolumbre criou um precedente. Governistas afirmam que ele não instalou a CPMI porque fechou um acordo com a oposição para derrubar vetos do projeto da dosimetria, que pode reduzir a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
Em março, parlamentares recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a instalação da CPI, mas o STF negou, afirmando que a decisão cabe ao Congresso.
Repercussão no Congresso
A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) criticou a postura de Alcolumbre: "Eu apresentei questão de ordem ao Senador Davi Alcolumbre, presidente do Congresso Nacional. Não cabe a ele escolher ou não. Ela [CPMI] tem que ser instalada. Nós vamos enfrentar, lutar, porque queremos investigar, doa a quem doer".
Já o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que a oposição foi a primeira a defender a CPMI. "Conseguimos todas as assinaturas, e ninguém da Base do Governo queria assinar. Agora, estufam o peito, porque querem inverter a narrativa".
O deputado Helder Salomão (PT-ES) também cobrou a instalação e mencionou um suposto "acordão" para enterrar o colegiado. "Nós queremos, sim, a instalação da CPMI do Banco Master. Nós queremos que o Senador Davi Alcolumbre instale esta Comissão. Nós queremos que o Hugo Motta instale a CPI aqui. Agora, eles fizeram um grande acordão para derrubar o Messias, para aprovar a dosimetria e, acima de tudo, para enterrar a CPMI do Banco Master".



