Flávio Bolsonaro enfrenta pressão no PL após mensagens de proximidade com Daniel Vorcaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vive um momento delicado dentro de seu próprio partido após a revelação de mensagens que indicam uma relação próxima com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A situação se agravou porque o pré-candidato havia negado publicamente e a aliados qualquer vínculo com Vorcaro, mas áudios e conversas obtidas pelo portal Intercept Brasil mostram o contrário.
O ponto crítico, segundo aliados, foi quando Flávio, ao sair de uma audiência no STF com o presidente Fachin, negou a relação com uma risada nervosa, mesmo com as evidências já circulando. Isso gerou uma forte sensação de quebra de confiança entre os apoiadores de sua pré-candidatura.
Repercussão interna no PL
Lideranças do PL avaliam que o pedido de financiamento para o filme "Dark Horse" é menos grave que o caso do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da Polícia Federal por supostos pagamentos do Banco Master. No entanto, será necessário provar que o dinheiro foi realmente usado no filme, já que a produtora nega ter recebido os recursos. Além disso, investigações apontam que parte do dinheiro foi parar no Texas, com destino a Eduardo Bolsonaro.
Para correligionários, se Flávio tivesse informado previamente sobre o pedido de financiamento, a campanha poderia ter se preparado para uma resposta coordenada. O fato de todos terem sido pegos de surpresa ampliou o desgaste e dificultou a reação nas redes sociais, alimentando suspeitas sobre o que mais poderia ter sido omitido.
Estratégia e desgaste
Um deputado do PL afirmou que o senador deveria ter se antecipado ao escândalo, revelando espontaneamente o acordo e apresentando o contrato como prova de transparência. A ausência de aviso, mesmo a um grupo restrito, é vista como um erro estratégico que agravou a crise. Outra dúvida é se existe um contrato de patrocínio formal ou se tudo foi uma operação entre amigos.
Entre aliados, cresce a percepção de que será difícil reverter a imagem de "mentiroso" perante parte do eleitorado, embora os apoiadores mais radicais já estejam defendendo o senador nas redes sociais. Internamente, a quebra de confiança é considerada irreversível, e a pré-campanha permanece em estado de alerta.
Reações da direita
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), classificou a atitude de Flávio como "imperdoável", enquanto Ronaldo Caiado (PSD) cobrou explicações, mas depois defendeu a união da centro-direita para derrotar o PT no segundo turno. Aliados próximos de Flávio minimizam o episódio, afirmando que não houve ilegalidade e que o Master operava com aval do Banco Central.
Integrantes da campanha insistem em atribuir a crise a um suposto vazamento seletivo da Polícia Federal e a uma estratégia de "assassinato de reputações" por parte do PT. No entanto, vale lembrar que à frente da investigação está o ministro do STF Mendonça, ex-parceiro do governo Bolsonaro. Resta saber se Mendonça se declarará suspeito para julgar o caso ou se autorizará medidas contra Flávio, se houver pedido da PGR ou da PF.
Para os fiéis bolsonaristas, era esperado que Flávio se tornasse alvo do que consideram uma máquina de propaganda negativa do governo federal, reforçando a narrativa de perseguição política. Enquanto isso, deputados como Boulos e Lindberg já pediram a cassação do mandato de Flávio no Senado. O tempo dirá o desfecho.



