Rússia propõe receber urânio enriquecido iraniano como parte de acordo com EUA
A Rússia está disposta a receber em seu território o urânio enriquecido iraniano como parte de um possível acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, após o fracasso das negociações entre os países em guerra, afirmou o Kremlin nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026.
A proposta foi formulada pelo presidente Vladimir Putin durante contatos com os Estados Unidos e países da região, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. "A oferta segue de pé, mas não teve continuidade", acrescentou.
Contexto das tensões internacionais
O governo russo também criticou a ameaça do presidente americano Donald Trump de bloquear o Estreito de Ormuz, enquanto o Comando Central dos Estados Unidos anunciou que um bloqueio de portos do Irã será iniciado nesta segunda-feira, às 11h. "É provável que este tipo de ações afete as qualidades do mercado internacional", disse Peskov.
A declaração do Kremlin ocorre após uma rodada de negociações entre representantes dos EUA e do Irã no Paquistão no final de semana ter terminado sem um acordo para acabar com a guerra. O governo russo é um dos maiores aliados do Irã.
Programa nuclear iraniano em foco
O programa nuclear iraniano está no centro das hostilidades entre Estados Unidos, Israel e Irã, que desde o dia 28 de fevereiro criaram um cenário de instabilidade generalizada no Oriente Médio. A coalizão israelo-americana acusa Teerã de instrumentalizar seu programa atômico para fins bélicos.
Embora as autoridades iranianas neguem qualquer tipo de projeto militar nuclear, reiterando que seu programa serve a fins civis e energéticos, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) revelou haver lá urânio enriquecido em até 60%, criando um estoque de mais de 400 quilos do material.
O patamar está tecnicamente próximo dos 90% de pureza considerados necessários para a produção de uma bomba nuclear. Ao longo de mais de seis semanas de guerra, Estados Unidos e Israel fizeram disparos contra instalações nucleares iranianas.
Desenvolvimentos recentes e declarações de Trump
Na semana passada, Trump afirmou que "não haverá mais enriquecimento de urânio" no Irã, um dia após ambos países anunciarem uma frágil trégua na guerra. Segundo o americano, as duas nações trabalharão juntas para "remover" o estoque de material nuclear de território iraniano.
A guerra começou em meio a negociações entre Washington e Teerã sobre o tema, que se encontravam em um impasse. Foi o ápice da tensão em torno do programa nuclear da nação persa, que se intensificou após a erosão do acordo firmado em 2015, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global.
Desde a saída unilateral dos Estados Unidos do pacto, durante o primeiro mandato de Trump, o Irã ampliou progressivamente seus níveis de enriquecimento e reduziu a cooperação com inspetores internacionais.
Estoque de urânio e instalações nucleares
Segundo estimativas anteriores da AIEA, antes dos bombardeios realizados em junho de 2025, Teerã possuía cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%. De acordo com Rafael Grossi, chefe da AIEA, cerca de 200 kg do material que sobreviveram aos ataques aéreos no ano passado estariam armazenados em túneis profundos próximos ao complexo nuclear de Isfahan.
Outra quantidade do material estaria em Natanz, onde o Irã construiu uma nova instalação fortificada e subterrânea conhecida entre analistas ocidentais como "Pickaxe Mountain".
Inteligência ucraniana e apoio russo
Na semana passada, uma avaliação da inteligência da Ucrânia apontou que satélites russos realizaram dezenas de pesquisas detalhadas de imagens de instalações militares e locais estratégicos no Oriente Médio para auxiliar Teerã em ataques contra forças americanas e outros alvos na região, informou a agência de notícias Reuters.
O chefe da AIEA, o argentino Rafael Grossi, alertou para um "risco real" de um acidente radioativo devido aos ataques contra instalações nucleares. Em paralelo, a imprensa americana noticiou que Washington avaliava a possibilidade de enviar forças especiais ao Irã para apreender material nuclear.



