EUA propõem suspensão de 20 anos no enriquecimento de urânio do Irã em negociações fracassadas
EUA propõem suspensão de 20 anos no programa nuclear do Irã

Proposta norte-americana busca suspensão de duas décadas no programa nuclear iraniano

Os Estados Unidos apresentaram uma proposta formal para suspender por 20 anos o programa de enriquecimento de urânio do Irã, como parte de uma tentativa de acordo diplomático para encerrar o conflito em curso entre as duas nações. A informação foi divulgada pela imprensa norte-americana nesta segunda-feira, revelando detalhes das negociações realizadas no sábado em Islamabad, capital do Paquistão.

Detalhes da proposta e contraproposta iraniana

Segundo jornais dos Estados Unidos, que citam fontes próximas às discussões diplomáticas, Washington pediu explicitamente a Teerã que se comprometa a interromper completamente o enriquecimento de urânio por duas décadas inteiras. De acordo com o The Wall Street Journal, a proposta norte-americana incluiria um significativo alívio das sanções econômicas como contrapartida direta por essa suspensão prolongada.

Já o The New York Times informou que o Irã teria apresentado uma contraproposta com uma suspensão consideravelmente menor, de apenas cinco anos, para suas atividades nucleares consideradas sensíveis. Essa divergência temporal se mostrou um dos principais obstáculos durante as conversas.

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Contexto histórico e posições firmes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou esta ofensiva diplomática em 28 de fevereiro, alegando consistentemente que o Irã estaria desenvolvendo secretamente uma arma nuclear, acusação que é veementemente negada por Teerã. O republicano afirmou publicamente que não permitirá de forma alguma que o país persa tenha acesso a esse tipo de armamento de destruição em massa.

As negociações, no entanto, terminaram sem qualquer acordo concreto. O vice-presidente JD Vance deixou as conversas no domingo sem avanços mensuráveis, com divergências centrais relacionadas não apenas ao programa nuclear iraniano, mas também à reabertura do estratégico Estreito de Ormuz.

Análise das propostas e posicionamentos

As propostas divulgadas pela imprensa internacional são vistas por analistas como uma versão mais moderada das exigências feitas publicamente por Trump, que já defendeu anteriormente que o Irã abandone de forma definitiva e permanente qualquer ambição nuclear, civil ou militar.

Em 2018, durante seu primeiro mandato presidencial, Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear histórico firmado em 2015 entre o Irã e potências internacionais. Aquele tratado multilateral previa a redução progressiva das sanções em troca de limites rigorosos ao enriquecimento de urânio e maior fiscalização das instalações nucleares iranianas.

Declarações oficiais após o fracasso das negociações

"Uma coisa é os iranianos afirmarem verbalmente que não irão dotar-se de armas nucleares, mas outra coisa completamente diferente é nós implementarmos os mecanismos necessários para garantir que isso realmente não aconteça", afirmou JD Vance na segunda-feira, após o fracasso das negociações no Paquistão. Segundo o vice-presidente norte-americano, os Estados Unidos apresentaram "linhas vermelhas claras e não negociáveis" durante os diálogos.

O Irã, por sua vez, mantém firmemente a posição de que não aceitará restrições externas ao que considera seu direito soberano de enriquecer urânio, alegando repetidamente que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis e pacíficos.

Reações internacionais e proposta russa

Para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a "questão central e mais urgente" é a retirada completa de todo o urânio já enriquecido em níveis elevados pelo Irã, além de garantias verificáveis de que não haverá novos avanços no programa nuclear "nos próximos anos, ou mesmo nas próximas décadas".

Enquanto isso, a Rússia indicou nesta mesma segunda-feira que está disposta a receber em seu território o urânio enriquecido iraniano, como parte de um eventual acordo futuro entre Washington e Teerã. Esta proposta russa representa uma possível solução técnica para uma das questões mais delicadas da controvérsia nuclear.

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Desenvolvimento paralelo: Reino Unido rejeita bloqueio no Estreito de Ormuz

Em desenvolvimento paralelo às negociações nucleares, o Reino Unido rejeitou formalmente o bloqueio naval proposto por Trump no Estreito de Ormuz. O presidente norte-americano vinha cobrando aliados para auxiliarem os EUA a controlar esta passagem marítima estratégica, mas o primeiro-ministro Keir Starmer rejeitou participar do bloqueio naval anunciado pela administração Trump.