Zema reafirma candidatura presidencial e critica STF: “Irei até o fim”
Zema garante candidatura e critica STF em entrevista

Governador de Minas Gerais afirma postulação presidencial e ataca Supremo

Em entrevista exclusiva à revista VEJA, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), reafirmou com veemência sua pré-candidatura à Presidência da República, declarando que levará sua postulação "até o fim", independentemente do que as urnas determinarem. Com aproximadamente seis meses para o início oficial da campanha eleitoral, Zema descartou categoricamente a possibilidade de integrar outras chapas como candidato a vice-presidente, mesmo diante de especulações que o vinculam ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

União da direita e estratégia eleitoral

O governador mineiro destacou que conversou com o ex-presidente Jair Bolsonaro há cerca de seis meses sobre a importância de múltiplos nomes da direita na disputa presidencial. "Mais nomes pela direita significa que vai reverberar em mais votos para a direita. No segundo turno nós vamos transferi-los para aquele candidato que passar", afirmou Zema, ressaltando que a direita está "muito afinada", contrariando análises que apontam fragmentação.

Zema revelou manter diálogo constante com outros pré-candidatos, incluindo os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Junior (PR) e Ronaldo Caiado (GO), além de Flávio Bolsonaro. "Nesses sete anos e um mês que nós temos como governadores, Ratinho, Eduardo Leite e eu devemos ter encontrado pelo menos 25, 30 vezes", contou, enfatizando a união entre as lideranças.

Críticas contundentes ao Supremo Tribunal Federal

Um dos pontos mais destacados da entrevista foram as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Zema defendeu mudanças radicais no tribunal, incluindo aumento da participação feminina, novos critérios para nomeação de ministros e estabelecimento de mandatos com prazo determinado.

"O Supremo parece que está mais hoje caminhando para se transformar numa quadrilha do que numa corte suprema do Brasil, infelizmente", disparou o governador, propondo maior participação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e associações de magistrados nas indicações. "Temos de valorizar a prata da casa e não levar ex-advogado de criminoso que já foi condenado", acrescentou.

Propostas econômicas e modelo de gestão

Zema apresentou suas principais propostas para a economia brasileira, com forte ênfase em privatizações e meritocracia. Citando sua experiência à frente do governo mineiro, destacou a criação de um milhão de empregos e a atração de investimentos privados, especialmente no setor de energia solar.

"Empresa estatal é empresa ineficiente, é empresa que é utilizada como margem de manobra para politicagem, para malandragem", afirmou, usando como exemplo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O governador ressaltou que, sob sua gestão, Minas Gerais saltou de 500 megawatts para quase 14 gigawatts em energia solar, atraindo mais de 80 bilhões de reais em investimentos privados.

Estratégia de campanha e balanço da gestão

Questionado sobre como pretende se tornar conhecido nacionalmente, Zema lembrou sua trajetória na eleição de 2018, quando começou com 1% das intenções de voto e percorreu mais de 70.000 quilômetros por Minas Gerais. Para a campanha presidencial, planeja participar de mais eventos, aumentar exposição na mídia e destacar os resultados de sua gestão em Minas.

A 45 dias de deixar o governo mineiro, Zema fez um balanço positivo, destacando a redução de estradas classificadas como ruins de mais de 30% para cerca de 8%, a conclusão de 95 Unidades Básicas de Saúde abandonadas e a entrega de hospitais. "Depois de sete anos e um mês, nós não tivemos escândalo em Minas Gerais, nós não tivemos corrupção", afirmou, anunciando apoio à candidatura de seu vice-governador, Matheus Simões (PSD), para sucessão.

Equipe de campanha e preparativos finais

O governador revelou que já está em andamento a montagem de sua equipe de campanha, com o marqueteiro Renato Pereira contratado pelo Partido Novo e coordenação do presidente da legenda, Eduardo Ribeiro. "Como bom gestor, está tudo muito bem delegado. Eu sou o produto, no caso", disse Zema, expressando confiança nas propostas que apresentará ao eleitorado brasileiro.

Zema finalizou reafirmando seu compromisso com uma campanha baseada em propostas concretas e sua experiência administrativa, posicionando-se como alternativa dentro do espectro político da direita brasileira.