Diretora de escola pública chama autismo de 'transtorno da moda' e pede afastamento após vídeo polêmico
Diretora chama autismo de 'transtorno da moda' e é afastada

Diretora de escola municipal faz declarações polêmicas sobre autismo e é afastada do cargo

Carla Martins de Barros, que se apresenta como pedagoga, pós-graduada em orientação educacional, funcionária pública municipal e acadêmica de Direito, ocupava o cargo de diretora da Escola Municipal de Tempo Integral Odair Lúcio em Gurupi, Tocantins. A profissional, concursada como professora da Prefeitura Municipal de Gurupi desde 2018 com salário bruto de R$ 9.612,80, pediu afastamento voluntário após a ampla repercussão de um vídeo em que classificou o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como "transtorno da moda".

Conteúdo do vídeo gera indignação e resposta das autoridades

No material que circulou nas redes sociais, Carla Martins de Barros afirmou não aceitar comportamento agressivo por parte de crianças autistas. "Algumas pessoas entram no meu direct e perguntam assim 'nossa, Carla, mas você não entende a agressividade de uma criança?' Transtorno da moda. Não é que eu não entenda, só que limite, todo ser humano precisa ter. Eu não me formei, não saio da minha casa pra poder apanhar, entendeu? E não permito que ninguém que esteja ao meu lado passe por essa situação. Você que cuide do seu alecrim dourado, que dê limite a ele. Você que cuide, assim como todos nós cuidamos das crianças típicas, né? Típica, atípica, não interessa. Ser humano nasceu para ser treinado, e ele tem condições perfeitas", declarou a diretora.

A fala repercutiu negativamente e levou a prefeita Josi Nunes (União) a se pronunciar publicamente. "Quero reafirmar, de forma muito clara, que a nossa gestão sempre teve compromisso com a inclusão, com o acolhimento e com a garantia de direitos das nossas crianças atípicas [...]. Desde que tomei conhecimento do ocorrido, determinei a apuração imediata dos fatos", afirmou a gestora municipal.

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Processo administrativo e medidas da prefeitura

Uma sindicância da Procuradoria-Geral do Município foi instaurada para analisar o caso com critério e responsabilidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (Semeg), o afastamento atendeu a um pedido da própria servidora, que se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A Prefeitura de Gurupi não informou quanto tempo deve durar a sindicância nem os detalhes específicos que serão analisados.

Em nota oficial, a administração municipal reafirmou seu compromisso com a inclusão, destacando que a rede municipal de ensino conta com 24 salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), todas com professores especialistas, além de profissionais de apoio que acompanham aproximadamente 400 estudantes com diagnóstico de TEA. A Semeg mantém equipe multidisciplinar com coordenação, supervisão, assistentes sociais e psicólogas que atuam no suporte às escolas e no atendimento às famílias.

Contraste entre declarações e realidade da escola

O caso ganha contornos ainda mais complexos ao considerar que a unidade escolar dirigida por Carla Martins de Barros possui salas de Atendimento Educacional Especializado e frequentemente publica conteúdos sobre inclusão e intervenções pedagógicas com alunos autistas em suas redes sociais. Esta contradição entre as práticas institucionais divulgadas e as declarações pessoais da diretora tem sido amplamente discutida pela comunidade escolar e especialistas em educação inclusiva.

A Prefeitura de Gurupi afirmou, em comunicado oficial, que vai ouvir todos os envolvidos, analisar com responsabilidade e tomar todas as medidas cabíveis e legais. "A Prefeitura de Gurupi reafirma que preza pelo diálogo aberto e transparente com as famílias e a comunidade escolar, sendo defensora e parceira da causa autista", destacou a administração municipal.

A Secretaria Municipal de Educação informou ainda que, desde que o caso ganhou repercussão, a prefeita determinou acompanhamento rigoroso da situação, com adoção de todas as medidas legais cabíveis, sempre pautadas na justiça, no equilíbrio e na transparência. A diretora envolvida não respondeu aos pedidos de posicionamento até o fechamento desta reportagem.

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