O empresário Rubens Menin, fundador da MRV e presidente do conselho de administração de seis empresas, criticou duramente a política monetária do Banco Central e alertou para uma crise fiscal iminente. Em entrevista à Veja Negócios, Menin afirmou que o Brasil está comprando uma crise futura com os juros elevados e que o próximo governo, seja de direita ou esquerda, será obrigado a fazer um ajuste fiscal em 2027.
Menin, cuja fortuna é estimada em 9,8 bilhões de reais, comanda um conglomerado que inclui MRV, Log CP, incorporadora Resia, Atlético Mineiro e CNN Brasil. Ele destacou que os juros reais de 10% ao ano são insustentáveis e que o país precisa reduzir a taxa Selic urgentemente. Segundo ele, este ano já está perdido, e se a situação persistir por mais dois anos, muitas empresas quebrarão.
O empresário atribuiu os problemas a dois erros do Banco Central: a queda rápida da Selic para 2% em 2020 e a posterior alta acelerada para 15%. Ele defende que a elevação gradual teria evitado o arrocho atual. Menin também criticou os gastos sociais, especialmente o Bolsa Família e o BPC, que somam quase 300 bilhões de reais por ano. Para ele, o programa é necessário, mas o número de beneficiários é excessivo e retira mão de obra do mercado de trabalho.
Menin destacou a estratégia de suas empresas para lidar com os juros altos: tornar as operações o mais asset light possível, reduzindo o capital imobilizado. Ele citou o exemplo do Atlético Mineiro, cuja dívida bancária será zerada com um aporte significativo. O empresário também criticou a omissão do setor privado no debate econômico e defendeu um lobby transparente, como nos Estados Unidos.
Sobre a reforma tributária, Menin avaliou que ela foi feita sob pressão por arrecadação e não reduziu a carga de impostos, apenas otimizou o processo. Ele também comentou o sucesso do Banco Inter, que abriu 30 mil contas por dia e deve chegar a 60 milhões de clientes. No entanto, alertou para a necessidade de regulamentação mais inteligente no setor financeiro, após o escândalo do Banco Master.
Menin encerrou a entrevista destacando a vantagem da escala do Brasil para os negócios, que permite investimentos em tecnologia, como o centro de inteligência artificial do Inter Science. Ele se mostrou preocupado, mas ainda otimista, desde que os problemas econômicos sejam resolvidos.



