Do asfalto da Maré para um dos maiores palcos do mundo. O criador de conteúdo e dançarino Raphael Vicente viveu um momento que parecia impossível até para ele: dançar ao lado de Shakira diante de 2 milhões de pessoas na Praia de Copacabana. O jovem, que teve grande repercussão nas redes sociais com uma coreografia de Waka Waka gravada na Maré, transformou um vídeo despretensioso em um encontro histórico com a artista que sempre admirou. Em entrevista à coluna GENTE, Raphael relembra o convite inesperado, os bastidores ao lado da estrela pop e a emoção de representar a favela em um espetáculo acompanhado pelo mundo inteiro.
O momento em que a ficha caiu
Raphael revela que só percebeu que estava realmente ao lado de Shakira no exato momento em que subiu no palco. Até então, durante os ensaios, ele achava que, em algum momento, algo daria errado e o sonho não se concretizaria. Para ele, tudo parecia surreal: um vídeo simples feito para a Copa do Mundo, de uma música de 10 anos atrás, sem qualquer intenção de alcançar a própria Shakira, acabou se transformando em uma oportunidade única.
O convite inesperado
O convite para participar do show em Copacabana veio através da coreógrafa de Shakira, Maite, que encontrou o número de Raphael e enviou uma mensagem. No entanto, no momento do contato, Raphael estava em sua formatura de teatro, em cena, e não pôde responder. Após várias horas sem retorno, Maite começou a procurar pessoas próximas a ele. Assim que saiu da apresentação, Raphael se deparou com inúmeras ligações e mensagens de sua equipe, que o informaram sobre o convite.
Shakira nos bastidores
Raphael conta que a interação com Shakira durante os ensaios foi limitada, mas marcante. Eles se encontraram apenas duas vezes: uma ao sair do ensaio, quando ele acenou de longe, e outra durante a gravação de um vídeo promocional. Nessa ocasião, Shakira se aproximou e perguntou: “Rafa, você está cansado? Está tudo bem?”. Ele descreve a artista como super humilde e simpática, alguém que não parece uma estrela global. As interações foram as melhores possíveis.
O significado de representar a Maré
Raphael levou integrantes do coletivo Dance Maré para o palco, e isso foi extremamente representativo. Levar o nome da Maré para um palco com tanta visibilidade muda a perspectiva de quem enxerga a favela apenas pela violência. Ao pisar naquele palco, as pessoas veem jovens talentosos, em busca de sonhos, que são pessoas boas. Foi um momento importante para eles como seres humanos e como favelados.
Carreira e próximos passos
Após a experiência, Raphael afirma que nada mudou em sua visão sobre a carreira; pelo contrário, ela apenas se concretizou. Ele enxerga a criação de conteúdo de forma ampla, utilizando dança, palavras, vídeos e fotos para se comunicar. Seus próximos passos incluem a abertura de seu estúdio de dança na Maré, o Dança Maré Space, que será a primeira escola de dança da comunidade. As obras já estão em andamento e a previsão é de que fique pronto até o final do ano. A ideia é incentivar ainda mais a dança na Maré e mostrar aos jovens que eles podem, um dia, dançar com uma diva pop ou subir em um palco desse tamanho.



