Governo Lula associa bets ao endividamento, mas especialistas questionam ligação
Governo Lula e bets: especialistas questionam endividamento

Com a proximidade da corrida eleitoral, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva passou a encampar uma ofensiva contra as casas de aposta, as populares “bets”, mesmo depois de ter montado uma estrutura regulatória no começo de seu terceiro mandato — o que permitiu à União embolsar cifras graúdas em tributos e licenças. Um dos principais motivos apontados pela gestão petista e pela base governista na Câmara é o endividamento das pessoas, algo que, na visão de especialistas, é controvertido e divide opiniões.

Gastos com bets versus outras despesas

Em 2025, os brasileiros gastaram 37 bilhões de reais em apostas, menos do que em bebidas alcoólicas (40,5 bilhões de reais) e streaming (69,7 bilhões de reais), enquanto o pagamento de juros sobre empréstimos e cartão de crédito custou 697 bilhões de reais às famílias, segundo a LCA Consultoria. Para especialistas, o aumento das apostas está inserido em um contexto de alta do consumo digital, que também se reflete em gastos maiores com corridas por aplicativo, comida por delivery e compras on-line.

Visão de especialistas

“Não há nada no padrão de consumo que, sozinho, seja responsável pela inadimplência. O grande problema é o acesso fácil a crédito caro, especialmente o rotativo, e o baixo nível de educação financeira da população”, avalia Eric Brasil, diretor da LCA. No entanto, há levantamentos que apontam o justo contrário. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,4% das famílias eram devedoras em março de 2026.

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Entre os fatores que causam endividamento, a jogatina pesa duas vezes mais do que as altas taxas de juros e a oferta de crédito, segundo estudo recente de Claudio Felisoni, professor da FIA Business School. “A combinação entre facilidade de aposta e propaganda massiva dos jogos é extremamente danosa à saúde financeira das pessoas”, diz o pesquisador.

Crescimento do vício em jogos

Ao mesmo tempo, cresce a procura da população por tratamento psicológico contra vício em jogos de azar — em março, o SUS inaugurou um canal de teleatendimento para esses casos, já que as consultas presenciais passaram de 6.000 em 2025. No Supremo Tribunal Federal (STF), há duas ações robustas que questionam a constitucionalidade da lei das apostas esportivas — uma delas, inclusive, foi proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Reportagem da edição nº 2992 de VEJA revela os desdobramentos e bastidores da ofensiva do governo federal contra as casas de aposta.

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