Lideranças quilombolas e indígenas fortalecem produção sustentável na Amazônia em seminários
Lideranças quilombolas e indígenas da região amazônica participaram ativamente de uma série de encontros dedicados ao fortalecimento da produção extrativista e à geração de renda sustentável em seus territórios. Esta importante iniciativa integrou o ciclo de seminários denominado “Coopaflora em Movimento”, promovido pela Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte, conhecida como Coopaflora.
Encontros reunem comunidades em múltiplos municípios
As atividades formativas e de planejamento ocorreram em comunidades localizadas no norte do estado do Pará, especificamente nos municípios de Oriximiná e Alenquer, além de Nhamundá, no estado do Amazonas. No total, 187 pessoas estiveram presentes nos encontros, sendo que 100 eram mulheres, um dado que evidencia de forma clara o protagonismo feminino nas discussões e nas decisões sobre o futuro da sociobiodiversidade na região amazônica.
Planejamento coletivo resulta em plano estratégico
Realizados em parceria com o Programa Florestas de Valor, do Imaflora, e com o apoio da Fundação Jacobs, do Iepé e de diversas associações locais, os seminários funcionaram como espaços privilegiados de planejamento coletivo. O principal resultado concreto desses encontros foi a construção do Plano de Fortalecimento Participativo (PFP), um documento estratégico que reúne metas e ações delineadas para os próximos anos de atuação da cooperativa.
Debates focam em cadeias produtivas e valorização justa
Durante as dinâmicas e discussões, um dos pontos centrais debatidos foi como transformar os produtos oferecidos pela floresta em uma fonte de renda justa e digna para as famílias extrativistas. Cadeias produtivas de grande relevância para a região, como a da castanha-da-amazônia, do óleo de copaíba e do cumaru, estiveram no centro das conversas. Os temas abordados incluíram:
- Boas práticas de manejo e coleta
- Desafios logísticos para escoamento
- Estratégias de comercialização e acesso a mercados
A coordenadora do Programa Florestas de Valor, Maria Farias, destacou que a cooperativa vive um momento estratégico crucial de organização interna. Ela explicou que a prioridade tem sido fortalecer a gestão da Coopaflora para garantir maior autonomia e ampliar o acesso a mercados diferenciados e a políticas públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Segundo sua avaliação, uma estrutura sólida e bem organizada é fundamental para criar mais oportunidades e consolidar parcerias duradouras.
Mulheres na liderança e transparência como pilares
Outro aspecto marcante dos seminários foi a forte e ativa presença das mulheres na liderança dos processos cooperativistas. A presidente da Coopaflora, Maria Daiana da Silva, ressaltou os desafios inerentes à condução de uma organização que reúne comunidades distribuídas em territórios extensos e de difícil acesso. Ela afirmou que a gestão busca constantemente garantir transparência e uma compreensão clara por parte de todos os cooperados sobre o uso dos recursos financeiros, além de assegurar que os benefícios gerados cheguem efetivamente às bases comunitárias.
Daiana também enfatizou a importância do diálogo constante com quilombos e aldeias, reforçando que as decisões são construídas de maneira coletiva e participativa. A rastreabilidade dos produtos foi outro tema central abordado. A cooperativa utiliza o Selo Origens Brasil, uma certificação que atesta a procedência dos itens e identifica sua ligação direta com territórios tradicionais. Para a presidente, esse reconhecimento agrega valor significativo aos produtos e amplia o acesso a novos mercados consumidores conscientes.
Prioridades definidas para o futuro da cooperativa
Os encontros marcaram um novo e promissor momento de organização e planejamento para a Coopaflora. Entre as prioridades estratégicas definidas coletivamente estão:
- A ampliação do acesso a mercados institucionais
- O fortalecimento dos canais de comunicação entre as diversas comunidades
- Melhorias significativas na logística de escoamento da produção
- A expansão de certificações socioambientais
- O aprimoramento contínuo da governança interna da cooperativa
Nos territórios, o sentimento que prevaleceu após os seminários foi de união e propósito comum entre povos indígenas e comunidades quilombolas. O objetivo compartilhado é garantir renda digna, autonomia política e econômica, e a preservação ambiental de seus territórios. A percepção consolidada entre os participantes é de que, quando a produção extrativista é devidamente valorizada e organizada de forma coletiva, a floresta em pé se torna economicamente mais valiosa do que a floresta derrubada, assegurando assim o sustento das famílias e a proteção integral do patrimônio natural e cultural da Amazônia.



