A Stellantis, grupo automotivo que reúne 14 marcas, planeja ampliar significativamente os investimentos em quatro delas: Fiat, Jeep, Peugeot e RAM. A informação foi divulgada pela agência Reuters, com base em fontes internas. A definição dessa estratégia faz parte do plano que o CEO Antonio Filosa apresentará no dia 21 de maio.
Estratégia de longo prazo
Na data prevista, a empresa deve detalhar sua estratégia de longo prazo, com foco nas marcas mais populares e rentáveis. De acordo com a Reuters, Filosa não pretende encerrar as operações de nenhuma outra marca do grupo. A Stellantis reúne 14 marcas, incluindo Citroën, Opel, Leapmotor e Alfa Romeo. Segundo as fontes ouvidas pela agência, essas montadoras também receberão aportes, mas deverão utilizar as tecnologias das quatro marcas principais no desenvolvimento de novos veículos.
Prejuízos em 2025
Em fevereiro deste ano, a Stellantis informou prejuízo líquido de 25,4 bilhões de euros em 2025 (cerca de R$ 153,9 bilhões na cotação atual). O resultado negativo concentrou-se no segundo semestre, principalmente devido a despesas elevadas para revisar projeções para carros elétricos, já que o crescimento desse mercado está mais lento que o esperado.
Dificuldades na transição para elétricos
O caso da Stellantis ilustra como montadoras em todo o mundo enfrentam dificuldades na transição dos veículos a combustão para os elétricos, especialmente após Estados Unidos e Europa reduzirem metas para esse tipo de veículo. “Nossos resultados completos de 2025 refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética e a necessidade de reorientar o negócio, garantindo aos clientes a liberdade de escolher entre tecnologias elétricas, híbridas e a combustão”, afirmou Antonio Filosa em nota na ocasião.
Segundo o executivo, na segunda metade do ano a empresa observou sinais iniciais de progresso, com os primeiros resultados dos esforços para melhorar a qualidade, fortalecer lançamentos e retomar o crescimento da receita. “Em 2026, nosso foco será corrigir falhas na execução e acelerar o retorno ao crescimento com lucro”, declarou Filosa.
Balanço financeiro
Ao longo do ano passado, a Stellantis registrou 25,4 bilhões de euros (R$ 154 bilhões) em baixas contábeis, que representam perdas no valor de ativos. Somente no segundo semestre, foram 22,2 bilhões de euros (R$ 134,5 bilhões), o que pressionou as ações da montadora. No mesmo período, a empresa registrou prejuízo operacional ajustado de 1,38 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões), resultado que já havia sido antecipado. Esse indicador mostra o desempenho das operações, sem considerar eventos extraordinários, como o fechamento de uma fábrica.
Apesar disso, a receita da companhia cresceu 10% e somou 79,25 bilhões de euros (R$ 480,3 bilhões) entre julho e dezembro, com alta de 11% nas entregas de veículos. Segundo analistas do Citi, esse conjunto de resultados representa um “ponto baixo evidente” para a Stellantis. Eles avaliam que pode haver recuperação à frente, mas consideram que outras montadoras da Europa e dos Estados Unidos oferecem menos riscos no momento.
Projeções para 2026
A empresa manteve as projeções para 2026: espera crescimento moderado da receita e margem operacional baixa, mas positiva. No entanto, prevê que o fluxo de caixa livre — o dinheiro que sobra após os investimentos — só voltará a ficar positivo em 2027.



