O novo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, implementou no dia 15 de abril a taxação de imóveis milionários na cidade americana. A medida, apelidada de “taxa pied-à-terre”, faz parte de uma promessa de campanha para aumentar impostos sobre os mais ricos.
Detalhes da taxação
O imposto é voltado a proprietários de imóveis de alto padrão avaliados em mais de US$ 5 milhões que não utilizam suas propriedades como residência principal. Mamdani anunciou a medida em vídeo nas redes sociais, afirmando: “Quando me candidatei a prefeito, disse que ia tributar os ricos”. A expectativa é arrecadar pelo menos US$ 500 milhões por ano, recursos que serão destinados a reduzir o déficit orçamentário municipal e financiar creches gratuitas, limpeza de ruas e segurança nos bairros.
Reações e críticas
Críticos, incluindo o presidente Donald Trump, alegam que a medida “destrói Nova York” e afugentará os ricos da cidade. O debate levanta a questão: o que aconteceria se prefeitos de grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Rio de Janeiro, seguissem o exemplo e taxassem imóveis de luxo acima de R$ 5 milhões?
Cenário brasileiro
O mercado de alto padrão no Brasil vive expansão. Segundo o SECOVI-SP, apenas em 2025 foram lançadas quase 2.000 unidades acima de R$ 5 milhões em São Paulo, representando 15% do valor negociado na cidade, movimentando mais de R$ 10,6 bilhões. Dados da imobiliária Pilar mostram que mexer nesse segmento impacta diretamente um dos pilares financeiros do setor imobiliário. A taxação poderia afastar clientes, risco que incorporadoras evitam, especialmente em tempos de vendas lentas e alto estoque.
Alternativas e desafios
Embora improvável no Brasil, seria interessante criar medidas para evitar o crescimento de imóveis não habitados nos centros urbanos. Em Miami, muitos apartamentos foram comprados por investidores estrangeiros para visto de residência, mas permanecem vazios, criando “prédios fantasmas”. Uma possível solução seria limitar o número de unidades para investidores em novos empreendimentos, mas isso também é improvável, pois o mercado é norteado pelas vendas, não pela função social dos imóveis.



