Indígenas bloqueiam aeroporto de Altamira em protesto contra mineradora Belo Sun
Indígenas bloqueiam aeroporto de Altamira contra mineradora

Indígenas bloqueiam aeroporto de Altamira em protesto contra mineradora Belo Sun

Indígenas bloquearam o acesso ao aeroporto de Altamira, localizado no sudoeste do Pará, nesta segunda-feira (16). Aproximadamente 200 pessoas participam do ato, que tem como objetivo principal protestar contra o projeto de mineração de ouro da empresa canadense Belo Sun, na região da Volta Grande do Xingu.

Ocupação da Funai e pressão por cancelamento de licença

O bloqueio do aeroporto faz parte de uma mobilização mais ampla iniciada em fevereiro, quando grupos indígenas ocuparam a sede regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no município. De acordo com o Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu, a ação busca pressionar os órgãos competentes para que cancelem a licença de instalação do empreendimento e retirem definitivamente a mineradora da região.

Sol Juruna, liderança da Terra Indígena Paquiçamba, na Volta Grande do Xingu, declarou: "Estamos na Funai e no aeroporto. Queremos que essa empresa vá embora daqui. Nossas crianças e idosos estão doentes, então não vamos arredar o pé".

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Decisão judicial e licenciamento ambiental

O protesto ocorre após uma decisão liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que restabeleceu a licença do projeto, originalmente concedida em 2017 pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas). O Ministério Público Federal (MPF) recorreu da medida, alegando que a empresa não cumpriu condicionantes judiciais, incluindo a realização do Estudo do Componente Indígena e da Consulta Prévia, Livre e Informada às comunidades afetadas, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

Riscos socioambientais na Volta Grande do Xingu

A Volta Grande do Xingu é considerada território tradicional de povos indígenas como Juruna, Xipaia, Curuaia, Arara da Volta Grande e Xikrin, além de comunidades ribeirinhas e famílias camponesas. Um relatório do Ministério dos Povos Indígenas aponta que o projeto da Belo Sun prevê:

  • Duas cavas a céu aberto
  • Pilhas de estéril e reservatórios
  • Uma barragem de rejeitos com capacidade superior a 35 milhões de metros cúbicos

Essas estruturas estão planejadas para áreas próximas ao rio Xingu. As comunidades locais temem que a instalação da mina possa agravar os impactos já causados pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que alterou o fluxo natural do rio na região. Lideranças indígenas alertam que a combinação entre a redução da vazão do Xingu e a mineração em grande escala pode afetar significativamente:

  1. A pesca e a segurança alimentar
  2. Os modos de vida tradicionais das populações
  3. A qualidade da água, com risco de contaminação por substâncias como cianeto, arsênio e chumbo

Posicionamento da Belo Sun

Em nota oficial, a Belo Sun Mineração afirmou que respeita o direito de manifestação dos indígenas e defende que o diálogo ocorra pelas vias institucionais. A empresa declarou que a Licença de Instalação do Projeto Volta Grande está vigente após a decisão do TRF1 e que realizou a Consulta Prévia, Livre e Informada conforme a Convenção 169 da OIT.

A mineradora também destacou que o projeto ainda está em fase de instalação, que as atividades seguirão as condicionantes do licenciamento ambiental e que não há previsão de captação de água do rio Xingu. Além disso, a empresa ressaltou que a Justiça já analisou a competência do licenciamento ambiental, mantendo o processo sob responsabilidade do governo do Pará.

Continuidade dos protestos

Os manifestantes afirmam que pretendem manter o bloqueio do aeroporto até o fim do dia e depois retornar à sede da Funai, onde seguem com a ocupação iniciada em 23 de fevereiro por mais de cem indígenas das etnias Juruna, Xikrin, Xipaya, Kuruaya e Arara. Segundo o grupo, o acesso ao aeroporto pode voltar a ser bloqueado nos próximos dias, mantendo a pressão sobre as autoridades para atender às suas demandas.

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