A Federação de Futebol do Irã confirmou neste sábado (9) que a seleção do país disputará a Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, México e Canadá. No entanto, a participação iraniana foi condicionada a uma série de exigências, entre elas a concessão de vistos americanos para dois ex-integrantes da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Jogadores afetados pelas restrições
O atacante Mehdi Taremi e o defensor Ehsan Hajsafi, ambos da seleção iraniana, cumpriram serviço militar na IRGC. Taremi, considerado a principal esperança de gols do time, serviu na Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica em Bushehr, sua cidade natal, entre 2010 e 2012.
A Guarda Revolucionária Islâmica é uma força militar criada após a Revolução Iraniana de 1979 para proteger o regime islâmico. Separada das Forças Armadas tradicionais, atua nas áreas militar, política e econômica e exerce forte influência no governo iraniano.
O serviço militar é obrigatório no Irã, mas jogadores de futebol podem ingressar em times afiliados aos militares por meio de isenções esportivas, como o Malavan Anzali e o Fajr Sepasi. Taremi e Hajsafi, no entanto, seguiram um caminho diferente, o que agora ameaça sua participação no Mundial.
Restrições dos EUA
O Departamento de Estado dos EUA impõe restrições rigorosas a indivíduos com ligações com organizações classificadas como terroristas estrangeiras, lista que inclui a IRGC. O presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, afirmou: "Todos os jogadores e membros da comissão técnica, especialmente aqueles que cumpriram serviço militar na Guarda Revolucionária Islâmica ou IRGC, como Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi, devem receber vistos sem qualquer problema".
Condições iranianas
A confirmação da participação ocorre após o Canadá negar, no mês passado, a entrada do presidente da federação iraniana no Congresso da FIFA por supostas ligações com a IRGC. O Irã apresentou dez condições para participar do torneio, incluindo:
- Concessão de vistos e respeito à delegação iraniana;
- Respeito à bandeira do país e ao hino nacional durante o torneio;
- Reforço na segurança em aeroportos, hotéis e rotas até os estádios;
- Garantia de vistos para todos os jogadores e integrantes da comissão técnica, especialmente aqueles que cumpriram serviço militar na IRGC.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os jogadores iranianos serão bem-vindos, mas alertou que os EUA ainda podem barrar integrantes da delegação com vínculos com a IRGC.
A Copa do Mundo começa em 11 de junho. O Irã está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia, e disputará todas as partidas da fase de grupos nos Estados Unidos.
Tensões entre Irã e EUA
Apesar de um cessar-fogo anunciado, Irã e Estados Unidos seguem trocando ataques. Nesta sexta-feira, militares americanos atingiram dois petroleiros vazios com bandeira iraniana que, segundo Washington, tentavam furar o bloqueio naval imposto pelos EUA. O Comando Central americano informou que uma terceira embarcação iraniana foi interceptada na quarta-feira (6). "Os três navios não estão mais em trânsito para o Irã", afirmou.
Em resposta, um parlamentar iraniano de alto escalão declarou que qualquer tentativa americana de impor bloqueios navais será respondida militarmente por Teerã, segundo a agência Fars News. A agência estatal Tasnim, citando um integrante das Forças Armadas iranianas, afirmou que a situação no Golfo Pérsico permanece calma, mas alertou que novos confrontos poderão ocorrer caso embarcações americanas voltem a interferir no tráfego marítimo iraniano.
Apesar da escalada recente no Estreito de Ormuz, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que negociadores americanos continuam em diálogo com representantes do governo iraniano.



