Projeto de conservação da anta brasileira completa 30 anos com resultados expressivos
Projeto da anta brasileira completa 30 anos com resultados expressivos

O que começou em 1996 como um estudo de ecologia no Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), tornou-se a maior referência mundial sobre o maior mamífero terrestre da América do Sul. A Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ) completou 30 anos de atuação com números impressionantes e um papel vital na manutenção das florestas brasileiras.

Números do projeto

Ao longo dessas três décadas, o projeto já capturou 571 antas, monitorou 160 por meio de colares de telemetria e identificou outros 600 indivíduos através de armadilhas fotográficas em cinco biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. A anta é conhecida como a "jardineira da floresta" por sua capacidade de dispersar sementes e ajudar na regeneração da vegetação.

Estudo no Morro do Diabo

No Morro do Diabo, um estudo de longo prazo (realizado entre 2004 e 2014) comprovou que a presença desses grandes herbívoros é fundamental para desacelerar a perda de diversidade em florestas tropicais. Pesquisadores compararam áreas de floresta onde esses animais circulam livremente com áreas cercadas, que impediam seu acesso. O resultado indicou que as áreas com presença dos herbívoros tiveram menor perda de diversidade de plantas. Os animais contribuem para o equilíbrio da floresta principalmente por meio da dispersão de sementes e da influência na regeneração das plantas.

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O estudo, publicado no Journal of Applied Ecology, também alerta que a ausência desses animais pode alterar significativamente a composição da floresta, o que já ocorre em vários fragmentos da Mata Atlântica devido à caça, atropelamentos e perda de habitat. Os pesquisadores defendem que a conservação e a reintrodução desses grandes herbívoros são estratégias importantes para restaurar ecossistemas florestais e proteger a biodiversidade, principalmente em florestas maduras, que se mostraram mais beneficiadas pela presença desses animais.

Conhecimento científico

Atualmente, a INCAB-IPÊ atua em cinco biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Os estudos da equipe multidisciplinar já produziram dados que ampliaram o conhecimento científico sobre a espécie. Entre os achados, os pesquisadores descobriram que as antas são poligâmicas, ao contrário do que se pensava, e registraram a presença do animal na Caatinga, bioma onde a espécie havia sido classificada como localmente extinta. Além disso, estudos de toxicologia com antas levaram à identificação de populações humanas contaminadas por agroquímicos e metais no Cerrado do Mato Grosso do Sul.

“Fazer conservação no mundo de hoje não é uma tarefa simples. É uma luta constante, repleta de desafios. O fato de termos, aqui no nosso país, um projeto desse porte e com essa longevidade é absolutamente incrível e motivo de enorme orgulho e celebração", afirma Patrícia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ. Medici ainda destaca que, de maneira geral, a conservação de espécies não é vista como prioridade e requer muito apoio. "Ao longo desses 30 anos, tivemos a parceria institucional e financeira de centenas de pessoas e organizações, sobretudo internacionais, o que nos permitiu chegar tão longe com esse trabalho”.

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