Motoristas de ônibus em Rio Branco fazem paralisação parcial por atraso de salários
Paralisação de ônibus em Rio Branco por atraso salarial

Paralisação parcial afeta frota de ônibus em Rio Branco devido a atrasos salariais

Os motoristas do transporte coletivo de Rio Branco, no Acre, iniciaram uma paralisação parcial da frota de ônibus na última terça-feira (17), em protesto contra atrasos no pagamento de salários. A empresa responsável pelo serviço, a Ricco Transportes e Turismo, que atua há quatro anos por meio de contrato emergencial, enfrenta uma crise trabalhista que impacta diretamente a mobilidade urbana na capital acreana.

Percentuais de circulação durante a paralisação

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), a operação foi reduzida de forma significativa. Durante os horários de pico, que compreendem o período das 6h às 9h e das 17h às 19h, apenas 70% da frota permanece em circulação, enquanto 30% fica parada. Nos chamados horários de interpico, a situação se agrava, com apenas 50% dos ônibus rodando e os outros 50% completamente fora de operação.

O sindicato detalhou ainda como a redução afeta as diferentes linhas:

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  • Linhas com dois ônibus terão a operação reduzida para um veículo;
  • Linhas com três ônibus passarão a circular com dois veículos;
  • Linhas que contam com apenas um ônibus não sofrerão redução.

Contexto da crise e posicionamentos

Esta nova paralisação ocorre logo após a Ricco anunciar, na segunda-feira (16), o retorno integral de todas as linhas de ônibus. Anteriormente, no sábado (14), 31 das 50 linhas haviam sido paralisadas, com a empresa alegando problemas operacionais no sistema. Em documento enviado à prefeitura, a Ricco listou uma série de dificuldades enfrentadas, incluindo desgaste da frota, falta de manutenção das vias, defasagem tarifária, problemas no sistema de bilhetagem e um desequilíbrio econômico-financeiro. A empresa afirmou que o prejuízo acumulado em 2025 já ultrapassou a marca de R$ 8,6 milhões.

Em nota divulgada ao anunciar a volta integral da frota, a Ricco declarou que decidiu restabelecer as linhas por reconhecer a importância do transporte público para a população, mesmo com parte dos problemas ainda sem solução. No entanto, a situação trabalhista permanece crítica.

Questões trabalhistas e decisão judicial

Segundo Antônio Neto, presidente do Sinttpac, os motoristas já receberam seus salários, mas outros setores da empresa continuam com pagamentos pendentes. "Ainda seguem sem pagamento trabalhadores da manutenção, da limpeza dos ônibus, da fiscalização e do setor administrativo. Também há férias em atraso", complementou.

A Ricco moveu uma ação judicial pedindo a declaração de ilegalidade da greve anunciada pelo sindicato, além de uma decisão que impedisse bloqueios na garagem e no terminal. A desembargadora Vania Maria da Rocha Abensur, em liminar assinada no domingo (15), determinou que o sindicato e os trabalhadores não impeçam a entrada e saída dos ônibus, nem pratiquem atos que dificultem a circulação. A magistrada fixou que, em caso de paralisação, deve ser mantida a circulação mínima de 70% da frota nos horários de pico e 50% nos demais horários, sob pena de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

Fiscalização e crise no sistema de transporte

O caso também passou a ser acompanhado pela Superintendência Regional do Trabalho. O superintendente regional Leonardo Lani informou que uma ordem de serviço foi emitida e um auditor terá prazo de quatro meses para concluir a fiscalização. "Se forem confirmados atrasos de pagamento, será lavrado auto de infração contra a empresa, mesmo que os valores sejam quitados ao longo do processo", explicou. Após a conclusão, cópias dos autos de infração serão encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho, que poderá avaliar a abertura de uma ação civil pública.

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A paralisação ocorre em meio a uma crise mais ampla no sistema de transporte coletivo de Rio Branco. A Ricco opera o serviço desde 2022 por meio de contratos emergenciais renovados a cada seis meses, após o abandono das rotas pela Empresa Auto Aviação Floresta. Para manter o serviço, a Prefeitura de Rio Branco repassa um subsídio à empresa, atualmente no valor de R$ 3,63 por passageiro transportado, permitindo que a tarifa para os usuários se mantenha em R$ 3,50.

Em 2021, o quantitativo repassado pela prefeitura às empresas de ônibus, que somou mais de R$ 2,4 milhões, foi utilizado exclusivamente para pagar parte dos salários atrasados do ano de 2020 dos funcionários, evidenciando a fragilidade financeira do setor.