Pesquisa revela resistência de motoristas a projeto que regulamenta trabalho por aplicativo
Motoristas resistem a PL que regulamenta trabalho por aplicativo

Pesquisa revela resistência de motoristas a projeto que regulamenta trabalho por aplicativo

Uma pesquisa realizada pelo GigU em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação revelou que a maioria dos motoristas de aplicativo resiste à aprovação do projeto de lei que regulamenta o trabalho por plataformas digitais. O principal motivo para essa oposição é o temor de que a formalização possa prejudicar seus ganhos financeiros mensais.

Maioria contra a formalização por medo de perda de renda

De acordo com o levantamento, enquanto 52,2% dos entrevistados afirmam não ser favoráveis à formalização, apenas 42,2% se dizem a favor. A pesquisa indica que o tema, embora esteja avançando no Congresso Nacional e em governos locais, enfrenta resistência significativa dentro da própria base dos profissionais.

O maior ponto de resistência identificado é o impacto financeiro da medida. Para 43,2% dos motoristas, um modelo formal reduziria bastante a renda mensal, enquanto outros 19,4% acreditam que haveria uma redução menor. Em contraste, apenas 11,4% veem possibilidade de aumento nos ganhos com a regulamentação.

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Proteção social não supera preocupação econômica

Os potenciais ganhos em proteção social e reconhecimento profissional são ofuscados pela preocupação com a renda na percepção dos entrevistados. Quando indagados sobre a importância do debate, 36,4% consideram a formalização nada importante, ante 30,8% que a classificam como muito importante.

Os profissionais que identificam vantagens com a eventual aprovação da proposta citam principalmente:

  • Proteção em caso de doença ou acidente (16,9%)
  • Reconhecimento profissional (14,9%)
  • Segurança financeira no longo prazo (10,2%)
  • Acesso à aposentadoria (10,1%)

Desafio regulatório vai além do aspecto jurídico

Luiz Gustavo Neves, CEO e co-fundador da GigU, destacou que o desafio regulatório ultrapassa desenhar um modelo jurídico viável, mas esbarra principalmente em construir confiança econômica. Segundo ele, sem essa garantia, de nada adianta promessas de proteção, ainda mais quando não são claras.

Na avaliação dos responsáveis pelo levantamento, a dispersão das respostas sugere uma categoria distante de consenso, marcada por insegurança econômica e desconfiança institucional. Enquanto esse desafio não for resolvido, a resistência quanto à regulamentação tende a permanecer e o impasse a se aprofundar.

A pesquisa foi realizada em março de 2026 e reflete as preocupações dos motoristas de aplicativo em um momento de discussão legislativa sobre o tema no Congresso Nacional, onde o deputado Augusto Coutinho atua como relator da regulação do trabalho por aplicativos.

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