Greve de servidores municipais em Araras segue no terceiro dia após negociação fracassada
A cidade de Araras, no interior de São Paulo, enfrenta o terceiro dia consecutivo de greve dos servidores municipais, após uma reunião realizada na manhã desta quarta-feira (11) entre representantes da prefeitura e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Araras (Sindsepa) não resultar em acordo. A paralisação, que começou na última segunda-feira (9), já afeta serviços essenciais como saúde, educação, transporte público e coleta de lixo, com cerca de 1,4 mil trabalhadores aderindo ao movimento.
Proposta da prefeitura é rejeitada por unanimidade
Durante a reunião, a administração municipal apresentou uma nova proposta de reajuste salarial de 5%, composta pelos 4,41% da inflação mais 0,59% de ganho real. Em relação ao vale-alimentação, a prefeitura manteve a oferta de aumento de pouco mais de 42%, totalizando R$ 500. Além disso, comprometeu-se a finalizar ainda este ano o plano de carreira dos servidores, uma demanda que persiste há mais de 25 anos.
No entanto, a proposta foi considerada "vergonhosa" pelo sindicato e rejeitada por unanimidade em assembleia. "A nova proposta, considerada vergonhosa, foi rejeitada por unanimidade pelos servidores na assembleia. Ainda na votação, os trabalhadores aprovaram a continuidade da greve", afirmou o Sindsepa em nota oficial.
Decisão judicial impõe limites à greve
Com base em uma decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), a prefeitura notificou o sindicato para que todos os serviços municipais mantenham, no mínimo, 70% do quadro de profissionais trabalhando durante a paralisação. A determinação também exige a manutenção de 100% das atividades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Guarda Civil Municipal (GCM).
Em caso de descumprimento, o sindicato está sujeito a uma multa diária de R$ 10 mil. Em resposta, o Sindsepa afirmou que desde o início da greve orientou os servidores de serviços essenciais a não pararem e que seguirá integralmente a determinação judicial.
Principais reivindicações dos servidores
Eliana Ferreira Lopes, presidente do Sindsepa, destacou os três pontos principais entre as 40 reivindicações da categoria:
- Mudança drástica no convênio médico, que tem causado descontentamento e desespero entre os servidores
- Aumento salarial real, já que a categoria enfrenta o terceiro ano consecutivo sem ganhos além da inflação
- Vale-alimentação, considerado o mais baixo da região
Sobre o convênio médico, foi agendada uma reunião para sexta-feira (13) entre governo, sindicato e representantes da nova empresa para esclarecer questões operacionais, rede credenciada e funcionamento a partir de 16 de março.
Crise financeira e impasse persistente
A Prefeitura de Araras justificou suas propostas alegando enfrentar uma crise financeira. Inicialmente, havia oferecido reajuste de 4,41% nos salários e acréscimo de 42% no vale-alimentação, além do compromisso com o plano de carreira.
Com a greve se estendendo e sem acordo à vista, a população de Araras continua enfrentando interrupções em serviços municipais enquanto sindicato e prefeitura permanecem em lados opostos da mesa de negociação.



