Greve de rodoviários em São Luís chega ao quinto dia com nova audiência no TRT
Uma nova audiência de mediação entre rodoviários, empresas de transporte e órgãos públicos está marcada para esta terça-feira (3), no Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16), em São Luís. Este encontro representa o quinto dia da paralisação do transporte público na capital maranhense e na Região Metropolitana, mantendo cerca de 700 mil passageiros sem acesso ao serviço essencial.
Contexto da paralisação e decisões judiciais
A greve, que afeta linhas urbanas e semiurbanas, teve uma primeira audiência realizada na sexta-feira (30), mas terminou sem acordo entre as partes. Em resposta, o TRT emitiu uma liminar determinando a operação de 80% da frota de ônibus, medida que não foi cumprida pelos rodoviários.
Como consequência do descumprimento, o tribunal fixou uma multa diária de R$ 70 mil ao Sindicato dos Rodoviários. Além disso, a decisão estabelece que, a cada 48 horas de paralisação, haverá bloqueio de recursos da entidade por meio do sistema BacenJud, intensificando a pressão para a retomada das negociações.
Principais reivindicações dos trabalhadores
Os rodoviários, liderados pelo presidente do sindicato, Marcelo Brito, apresentaram uma contraproposta na última rodada de negociação, exigindo:
- Reajuste salarial de 12%, percentual que os empresários se comprometeram a analisar quanto à viabilidade.
- Tíquete-alimentação no valor de R$ 1.500, visando melhorar as condições de vida dos profissionais.
- Inclusão de mais um dependente no plano de saúde, ampliando a cobertura assistencial para as famílias dos trabalhadores.
Segundo Brito, a greve deve continuar indefinidamente até que uma nova proposta satisfatória seja apresentada pelas empresas, sem previsão concreta para o retorno dos serviços.
Posicionamento das autoridades públicas
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) emitiu uma nota esclarecendo que o pagamento do subsídio municipal ao sistema de transporte público está em dia. A secretaria também informou que liberou vouchers para corridas por aplicativo aos usuários afetados pela greve, medida que será mantida enquanto durar a paralisação, respeitando decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em comunicado, a SMTT expressou esperança de que empresários e rodoviários cheguem a um entendimento breve para restabelecer a regularidade do transporte público.
Por sua vez, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) afirmou que o subsídio estadual está sendo pago regularmente, dentro dos prazos estabelecidos. A agência destacou que as questões trabalhistas são de responsabilidade das empresas operadoras, conforme os contratos de concessão, mas segue em diálogo com os sindicatos para contribuir com a retomada do serviço o mais rápido possível.
Impacto social e perspectivas futuras
A paralisação prolongada tem causado transtornos significativos para a população de São Luís, que depende massivamente do transporte coletivo para deslocamentos diários. Com a audiência desta terça-feira, espera-se um avanço nas negociações, mas a situação permanece incerta, dependendo da disposição das partes em ceder e encontrar um terreno comum.
Enquanto isso, as medidas judiciais e as ações das autoridades públicas tentam mitigar os efeitos da greve, mas a solução definitiva passa por um acordo entre rodoviários e empresas, que será crucial para normalizar a mobilidade urbana na região.



