Greve de 3 mil trabalhadores da limpeza urbana paralisa seis cidades da Baixada Santista
Cerca de 3 mil profissionais da limpeza urbana vinculados ao Grupo Terracom entraram em greve na manhã desta segunda-feira (16) em seis cidades da Baixada Santista. A paralisação atinge os municípios de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente, com impactos significativos nos serviços de coleta de lixo e manutenção de áreas verdes.
Motivação da greve: divergências sobre o PPR
A decisão de greve foi tomada após assembleias realizadas por volta das 6h nas unidades operacionais, com a presença de representantes do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Santos e Região (Siemaco). Segundo o presidente do Siemaco, André Domingues, os trabalhadores reclamam da falta de clareza nos critérios utilizados para o cálculo do Programa de Participação nos Resultados (PPR).
"O PPR veio com valor abaixo, e eles [a empresa] não mandaram as metas para a gente saber o que foi descontado", declarou o dirigente sindical. Os funcionários apontam incompatibilidade entre os resultados financeiros das empresas e os valores repassados aos trabalhadores, com pagamentos em 2026 sendo menores e mais desiguais comparados aos de 2025.
Relato de trabalhador reforça insatisfação
Um funcionário da Terracom em Guarujá, que atua como ajudante geral e preferiu não se identificar, relatou que, em 2025, a maioria dos empregados recebeu valores mais altos e semelhantes, enquanto neste ano os pagamentos teriam sido menores e diferentes, o que gerou insatisfação generalizada. O Siemaco informou que, antes da paralisação, buscou esclarecimentos junto às empresas do grupo — Terracom Construções, Consórcio PG Eco Ambiental e a concessionária Terra Santos Ambiental — e ressaltou que permanece aberto ao diálogo para garantir a continuidade dos serviços.
Empresas entram com ação judicial contra a greve
Em nota, a Terracom Construções, o Consórcio PG Eco Ambiental e a concessionária Terra Santos Ambiental informaram que ingressaram com uma medida judicial no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região para contestar a paralisação. As empresas alegam que o movimento não foi previamente comunicado, como exige a Lei de Greve nº 7.783/1989, especialmente por se tratar de serviço essencial.
Segundo a nota das empresas, os pagamentos do PPR foram realizados na última sexta-feira (13), dentro do prazo, com base em critérios e metas previamente estabelecidos e conhecidos pelo sindicato e pelos trabalhadores. O modelo de apuração é adotado desde 2014 e foi reapresentado em reunião realizada no dia 10 de março de 2026, quando os cálculos e indicadores foram detalhados ao Siemaco.
Diante da ameaça de paralisação total dos serviços de limpeza urbana, as empresas informaram que recorreram ao Poder Judiciário para garantir a continuidade das atividades, enfatizando a importância de manter os serviços essenciais em funcionamento para a população da Baixada Santista.



