O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (14) que a China concordou em comprar 200 jatos da Boeing. O acordo, se confirmado, representa um alívio para a fabricante americana, que enfrenta dificuldades financeiras e uma queda na demanda por aeronaves devido à pandemia de Covid-19.
Detalhes do acordo
Segundo Trump, o negócio envolve a aquisição de 200 aeronaves, incluindo modelos como o 737 MAX e o 787 Dreamliner. O valor estimado do contrato é de aproximadamente US$ 40 bilhões, com base nos preços de catálogo, embora descontos sejam comuns nesse tipo de transação.
O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, na qual o presidente americano destacou a importância do acordo para a economia dos EUA. "A China está voltando a comprar nossos produtos, e isso é ótimo para os trabalhadores americanos", afirmou Trump.
Contexto comercial
O possível acordo ocorre em meio a tensões comerciais entre EUA e China, que se intensificaram nos últimos anos. A Boeing, uma das maiores exportadoras americanas, foi duramente afetada pela guerra tarifária e pela crise do 737 MAX, que levou à suspensão das entregas do modelo por quase dois anos.
Analistas apontam que a venda pode ajudar a reduzir o déficit comercial americano com a China e sinalizar uma melhora nas relações bilaterais. No entanto, o anúncio ainda precisa ser confirmado oficialmente pelas autoridades chinesas.
Reações do mercado
As ações da Boeing subiram mais de 5% nas negociações após o anúncio de Trump. Investidores veem o acordo como um sinal de recuperação da demanda por viagens aéreas, especialmente na Ásia, onde a China é um dos maiores mercados de aviação do mundo.
Especialistas, no entanto, alertam que a concretização do negócio depende de fatores como a aprovação regulatória chinesa e a capacidade da Boeing de cumprir os prazos de entrega. A empresa ainda enfrenta desafios relacionados à certificação do 737 MAX na China, que permanece suspensa desde 2019.
Impacto para a Boeing
Para a Boeing, a venda representa uma oportunidade de fortalecer sua posição no mercado chinês, onde enfrenta concorrência da europeia Airbus. A China é um dos principais clientes da fabricante, com encomendas significativas de aeronaves de corpo estreito e largo.
O acordo também pode gerar empregos nos EUA, já que a produção dos jatos ocorre em fábricas localizadas em estados como Washington e Carolina do Sul. Sindicatos de trabalhadores do setor aeroespacial receberam o anúncio com otimismo, mas aguardam mais detalhes sobre o cronograma de entregas.
Próximos passos
O governo americano deve iniciar negociações formais com as autoridades chinesas para finalizar o contrato. Enquanto isso, a Boeing trabalha para retomar as entregas do 737 MAX na China, que foram interrompidas após dois acidentes fatais envolvendo o modelo.
Se confirmado, o acordo será um dos maiores da história da aviação comercial e pode impulsionar a recuperação do setor, que foi fortemente impactado pela pandemia. A expectativa é que as primeiras entregas ocorram a partir de 2022.



