BNDES é pragmático e supera ideologias, afirma diretora Luciana Costa
BNDES é pragmático e supera ideologias, diz diretora

Em entrevista recente, Luciana Costa, diretora de infraestrutura do BNDES, destacou a transformação do banco em um agente pragmático e técnico, afastado de influências ideológicas. Egressa do mercado financeiro, ela coordena projetos, leilões e investimentos bilionários em concessões e parcerias público-privadas.

Virada de chave no setor de infraestrutura

Para Costa, o marco regulatório do setor vem sendo aperfeiçoado e, nos últimos três anos, ganhou aceleração com a aliança entre BNDES, empresas, bancos e mercado de capitais. “Como ente público, passamos a ser cofinanciadores, em vez de apenas repassadores de recursos. Não temos mais subsídios em nossas linhas. Assim, não deslocamos os bancos privados. Ao contrário, os convidamos a entrar, participar e ganhar junto”, afirma.

Papel do mercado de capitais

A diretora ressalta que o mercado de capitais é o ator principal nesse superciclo de infraestrutura. A multiplicação de fundos de investimento e debêntures incentivadas trouxe capilaridade financeira. “Hoje, o Brasil tem milhões de pessoas investidoras em infraestrutura, o que significa muito mais dinheiro à disposição. Esse círculo virtuoso não teria sido possível apenas com recursos do orçamento público”, explica.

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Superação da influência ideológica

Questionada sobre a liberdade do BNDES em relação a ideologias, Costa afirma que, no setor de infraestrutura, essa questão está completamente superada. “Governos de direita e de centro-esquerda fazem concessões e PPPs. A diferença é que nós, dentro de um governo de centro-esquerda, temos feito muito mais — e melhor.” Ela revela que, no início de 2023, o presidente Aloizio Mercadante deu a missão de serem pragmáticos e aumentarem a colaboração com o mercado.

Pragmatismo técnico

“A avaliação de cada projeto é exclusivamente técnica, não nos interessa a posição política dos proponentes. Internamente, prestigiamos o quadro técnico de carreira. No mercado, temos um amplo relacionamento de confiança”, destaca. Prova disso é o recorde de R$ 300 bilhões em investimentos públicos e privados em 2023, em áreas como mobilidade urbana, rodovias, ferrovias, saneamento, portos, aeroportos, energia e logística. “Isso aconteceu independentemente da orientação política dos governadores, prefeitos e empresários com os quais o banco se relaciona”, completa.

Perspectivas futuras

Com esse modelo, a diretora projeta que, em 2027, os investimentos no setor devem atingir R$ 600 bilhões. A entrevista foi publicada na edição de abril de 2026 da revista VEJA, na seção VEJA Negócios nº 25.

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