Reforma Tributária pode causar demissões e alta de preços em bares e restaurantes
O advogado Fernando Moreira revela que a reforma tributária, com sua nova alíquota e sistema de não cumulatividade, deve fazer com que bares e restaurantes paguem mais impostos, contrariando a promessa de alívio fiscal. Atualmente, muitos estabelecimentos operam com cargas tributárias entre 6% e 12% no Simples Nacional ou até 11% no Lucro Presumido, mas com as mudanças, esses valores tendem a subir significativamente.
Problemas na não cumulatividade e falta de créditos
O cerne da questão está na engrenagem da não cumulatividade, que, em teoria, permitiria descontar créditos ao longo da cadeia produtiva. No entanto, na prática do setor de bares e restaurantes, esses créditos são escassos. A folha de pagamento, que representa aproximadamente 40% dos custos, não gera abatimentos, e itens básicos, como alimentos da cesta essencial, também não contribuem para essa conta. Como resultado, o benefício existe apenas no papel, sem chegar com força ao caixa das empresas.
Bebidas sob pressão tributária
Outro ponto sensível é a tributação sobre bebidas, onde muitos negócios garantem sua rentabilidade. Com a reforma, essa tributação será cheia, atingindo cerca de 28%, além do imposto seletivo, conhecido como "imposto do pecado". É justamente nesse segmento que bares e restaurantes costumam compensar margens mais apertadas da comida, e a pressão extra pode desequilibrar as finanças dos estabelecimentos.
Impacto no fluxo de caixa e gestão
A mudança no fluxo de caixa também preocupa os empresários. O modelo de split payment prevê que o imposto seja recolhido no ato da transação, seja no Pix ou no cartão. Embora pareça um detalhe técnico, essa alteração é significativa. Atualmente, os empresários ganham fôlego ao pagar tributos após semanas, mas com a nova regra, esse capital de giro desaparece, exigindo uma gestão muito mais apertada e deixando menos margem para erros.
Consequências para empregos e preços
No final, o impacto tende a respingar no consumidor e no emprego. Moreira alerta que as empresas podem rever contratos, evitar fornecedores do Simples Nacional e até enxugar operações, com medidas como cardápios menores ou menos dias de funcionamento. A conta, como quase sempre, não fica parada: ela anda até o preço final e pode chegar também na forma de demissões ou portas fechadas, afetando diretamente a economia local e o mercado de trabalho.
