Petrobras retoma 100% da produção em Tartaruga Verde e Espadarte na Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% da produção em campos da Bacia de Campos

Petrobras reassume controle total de campos estratégicos na Bacia de Campos com investimento bilionário

A Petrobras anunciou a retomada completa da produção em duas áreas cruciais na Bacia de Campos, marcando um movimento estratégico significativo para a empresa estatal brasileira. A companhia vai recomprar 50% de participação nos campos de petróleo Tartaruga Verde e Espadarte Módulo III, localizados no litoral sudeste do país, por um valor total de US$ 450 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 2,3 bilhões.

Transação histórica reverte venda do governo anterior

Com esta aquisição, a Petrobras volta a ser 100% dona desses campos, que haviam sido vendidos em 2019 durante o governo de Jair Bolsonaro. A vendedora é a Petronas, petrolífera estatal da Malásia, e o comunicado oficial foi divulgado na noite de segunda-feira, 16 de março de 2026. O pagamento será realizado de forma parcelada, conforme detalhado pela empresa:

  • US$ 50 milhões no ato de assinatura do contrato
  • US$ 350 milhões no fechamento da operação, sujeito a ajustes
  • Duas parcelas de US$ 25 milhões cada, a serem quitadas em 12 e 24 meses após o fechamento

Direito de preferência garante negócio para Petrobras

Um aspecto crucial desta transação foi o exercício do direito de preferência pela Petrobras. Por ser sócia do empreendimento, a empresa brasileira pôde igualar uma proposta de compra feita pela Brava Energia, uma das principais operadoras independentes de óleo e gás no país, criada em 2024 através da junção da 3R Petroleum e a Enauta. Dessa forma, a Petrobras garantiu preferência sobre o negócio que a Brava Energia havia anunciado em 15 de janeiro de 2026.

Características dos campos e produção atual

Os campos de Tartaruga Verde e o Módulo III de Espadarte estão situados na porção sul da Bacia de Campos, em lâmina d'água entre aproximadamente 700 metros e 1.620 metros de profundidade. Atualmente, ambos já são operados pela Petrobras através do navio-plataforma Cidade de Campos dos Goytacazes, com uma produção de cerca de 55 mil barris de óleo por dia.

Condições financeiras atrativas e alinhamento estratégico

De acordo com a Petrobras, esta aquisição apresenta condições econômico-financeiras atrativas e adiciona flexibilidade decisória na gestão do portfólio da companhia. A empresa afirma que a compra está em perfeita consonância com seu plano de negócios, reforçando o direcionamento estratégico voltado ao segmento de óleo e gás, com:

  1. Disciplina na alocação de capital
  2. Resiliência econômica e ambiental
  3. Mitigação de riscos operacionais
  4. Priorização de ativos com maior potencial de geração de valor aos acionistas

A conclusão da operação está sujeita ao cumprimento de condições precedentes previstas no contrato de compra e venda, incluindo a aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão federal regulador do setor.

Contexto histórico: da venda à retomada

O interesse renovado da Petrobras nesses campos representa uma inversão completa da estratégia adotada durante o governo Bolsonaro. Em 2019, ao anunciar a venda para a Petronas, a Petrobras negociou Tartaruga Verde e o Módulo III do Espadarte por US$ 1.293,5 milhões. Naquela época, Tartaruga Verde produzia cerca de 103 mil barris de óleo por dia, e o Módulo III tinha previsão de início de operações para 2021.

A justificativa apresentada pela então direção da Petrobras para a venda foi o alinhamento com a otimização do portfólio e a melhora na alocação de capital da companhia, visando à geração de valor para os acionistas.

Cenário internacional favorável à aquisição

Este movimento de aquisição ocorre em um momento de alta significativa no preço do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência global, supera atualmente US$ 100, representando um salto de 70% no ano. A principal razão para esta escalada de preços é a guerra no Irã, que tem impactado diretamente o mercado energético global.

Atacado por Israel e Estados Unidos, o Irã reagiu com o bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima crucial entre os golfos Pérsico e de Omã, ao sul do país. Por esta região passam aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo e gás, criando um gargalo que pressiona a oferta internacional e eleva as cotações.

Impactos no mercado brasileiro

Na última sexta-feira, 13 de março, a Petrobras anunciou um reajuste no preço do diesel. Segundo a companhia, o efeito ao consumidor final será suavizado por medidas anunciadas pelo governo na véspera, com redução de tributos incidentes na venda do combustível. Esta aquisição estratégica posiciona a Petrobras de forma mais robusta em um mercado volátil, garantindo maior controle sobre ativos produtivos em um contexto geopolítico complexo.