Natura conclui venda da Avon na Rússia por R$ 166 milhões e reforça foco na América Latina
Natura vende Avon na Rússia e reforça foco na América Latina

Natura conclui venda da Avon na Rússia por R$ 166 milhões

A Natura anunciou oficialmente nesta quinta-feira, dia 19, a conclusão da venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest. A transação foi realizada através da subsidiária indireta integral da empresa, a Avon Netherlands Holdings II B.V., com o valor total do negócio atingindo cerca de 26,9 milhões de euros, o que equivale a aproximadamente R$ 166,2 milhões na cotação atual.

Os recursos financeiros provenientes desta venda já foram integralmente recebidos pela companhia no dia 17 de fevereiro de 2026, conforme informado pela própria Natura em comunicado oficial. Este movimento representa um passo significativo na estratégia corporativa da empresa, que busca simplificar sua estrutura operacional e reforçar o foco prioritário no crescimento dos negócios na América Latina.

Histórico de vendas e simplificação corporativa

Esta não é a primeira operação de desinvestimento realizada pela Natura nos últimos anos. Em setembro do ano passado, a empresa já havia anunciado a venda das operações da marca Avon em seis países da América Central – especificamente Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana – por um valor total de US$ 22 milhões.

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O acordo naquela ocasião foi firmado com o Grupo PDC, que possui atuação consolidada na região e também no Peru. Naquele momento, a Natura já havia deixado claro que a iniciativa visava simplificar a estrutura do grupo e concentrar esforços na integração estratégica das marcas Natura e Avon especificamente no mercado latino-americano.

É importante destacar que, mesmo após essa operação anterior, a companhia manteve o fornecimento de produtos para a Avon Card e o licenciamento da marca na região, com previsão de conclusão estabelecida para outubro de 2025. A empresa informou adicionalmente que continua avaliando alternativas estratégicas para os ativos da chamada Avon Internacional, que reúne todas as operações fora da América Latina.

Da expansão global ao recuo estratégico

A trajetória da Natura rumo à expansão internacional teve início em 2012, quando a empresa brasileira iniciou um ambicioso projeto de crescimento global com a aquisição da marca australiana Aesop. Este movimento foi seguido pela compra da britânica The Body Shop e, posteriormente, pela fusão com a americana Avon em 2019, transformando o grupo em um dos maiores conglomerados globais do setor de beleza.

A estratégia original buscava ampliar escala operacional, diversificar mercados de atuação e consolidar a companhia entre as líderes mundiais do segmento. Com a criação da holding Natura&Co, o grupo passou a reunir quatro marcas icônicas presentes em mais de 100 países e com faturamento anual superior a US$ 10 bilhões.

No entanto, essa expansão acelerada trouxe desafios significativos para a empresa. As aquisições foram realizadas em um período de ativos valorizados no mercado, o que elevou substancialmente o endividamento da companhia. Paralelamente, a integração de culturas corporativas distintas, modelos de negócio variados e operações em diferentes regiões geográficas mostrou-se uma tarefa extremamente complexa.

A pandemia de Covid-19 agravou consideravelmente este cenário, afetando diretamente o consumo de produtos cosméticos em escala global, pressionando as receitas da empresa e dificultando ainda mais a geração de sinergias esperadas entre as diferentes marcas do grupo.

Processo de simplificação e foco regional

Diante deste quadro desafiador, a Natura iniciou um processo consistente de simplificação operacional e redução de riscos estratégicos. Em 2023, a empresa vendeu a Aesop por US$ 2,5 bilhões e, no mesmo ano, realizou a venda da The Body Shop por um valor consideravelmente inferior ao pago originalmente na aquisição.

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Restava então a operação internacional da Avon, considerada deficitária e onerosa para os resultados do grupo. Em 2025, a companhia finalmente anunciou a venda da Avon International por valor simbólico, encerrando definitivamente o projeto inicial de se tornar uma gigante global da beleza.

Segundo análise de especialistas do mercado, esta decisão representa uma mudança estratégica fundamental na trajetória da Natura. A empresa optou por concentrar seus esforços e recursos na América Latina, região onde suas marcas possuem maior participação de mercado e vantagens competitivas mais sólidas.

A saída das operações internacionais permitiu à companhia reduzir custos operacionais significativos, diminuir a queima de caixa e oferecer uma trajetória de resultados mais previsível aos investidores. Este movimento marca o fim do ciclo de expansão global e o início de uma nova fase focada em rentabilidade sustentável e simplificação operacional, com atenção especial aos mercados onde a empresa possui maior expertise e penetração histórica.