A ex-atriz Thais Puello, que interpretou Mi na temporada de 2012 de Malhação, trocou os estúdios de televisão pela vida no campo. Hoje, ela é produtora de queijo premiado em Chiador, na Zona da Mata mineira. Com a chegada da pandemia, Thais voltou para a fazenda da família e começou a produzir queijos de forma improvisada na varanda da propriedade. O que era um passatempo tornou-se um negócio de sucesso.
Da televisão para a roça
Thais Puello, o marido Márcio, os filhos Jairo e Gilda, de 1 e 2 anos, o irmão Thiago e toda a família concentram-se agora nos afazeres do campo. A vida tranquila da roça em Chiador substituiu as gravações e o burburinho dos estúdios. “Hoje em dia nós somos uma família rural, todo mundo produz e eu consegui realizar o sonho do meu pai, que era voltar para casa. Moro aqui, tenho meus dois filhos e fico muito feliz em proporcionar essa infância livre, junto com as vacas, com o pé no chão, em contato com a natureza”, conta Thais.
Em Malhação, Thais viveu a personagem Mi, aluna do Colégio Quadrante. O elenco incluía nomes como Rodrigo Simas, Guilherme Leicam, Juliana Paiva, Alice Wegmann, Danielle Winits e Léo Jaime. “Foi uma experiência muito legal e meu primeiro contato com o audiovisual profissional. Tinha pouco tempo que eu estava no Rio de Janeiro estudando teatro e foi incrível. Era um elenco jovem, a gente se via todo dia e, quando não estávamos gravando, a gente fazia coisas de lazer por fora. Foi uma fase bem gostosa”, relembra.
O retorno a Chiador e o início da queijaria
Em 2019, pouco antes da pandemia, Thais retornou à fazenda da família. Com o confinamento obrigatório devido à Covid-19, ela decidiu permanecer em Chiador. “A princípio estávamos eu e o Márcio, que ainda era meu namorado na época e, logo quando começou a pandemia, os meus pais e meus irmãos também vieram para ficar aqui. Ficamos todos confinados e, depois disso, ninguém nunca mais voltou para a cidade”, explica.
A produção de queijos começou de forma improvisada na varanda da casa. “A gente fazia queijo no improviso: panela, lata e muita vontade. Mas, no fundo, a dúvida batia se dava mesmo para viver dos queijos, no improviso. Foi aí que eu e o Márcio pegamos estrada rumo à Serra da Canastra. Queríamos entender o que era, de verdade, a vida de um queijeiro. E lá a gente se encantou: o trabalho, a cultura, os amigos que temos até hoje”, relata.
Da incerteza nasceu a coragem para persistir. Novas idas à Canastra com toda a família permitiram aprender mais técnicas de produção. O laticínio evoluiu ao longo dos anos e, no ano passado, a família celebrou a compra do primeiro carro zero quilômetro e do primeiro trator para a propriedade, a ampliação da linha de produção e também o selo que garante certificação para venda em todo o Brasil.
Reconhecimento no Mundial do Queijo
Em abril, a Troço Bom Roçaria, nome da empresa da família, foi a maior premiada no Mundial do Queijo, realizado em São Paulo, com mais de 2.500 produtos nacionais concorrentes. O laticínio recebeu 12 medalhas, com destaque para o doce de leite, que conquistou o super ouro, a premiação máxima. “Falar que não acreditávamos na premiação seria modéstia. A gente estava bem confiante de que alguns produtos iam se destacar, como o doce de leite, que foi super ouro. Mas foi um número muito expressivo para uma agroindústria familiar, de pequeno porte”, avalia Thais.
Vínculo com a arte e planos futuros
Mesmo com a vida no campo, Thais ainda mantém vínculo com a carreira artística. Participou do filme ‘Nada’, gravado em uma fazenda em Pirenópolis (GO). Para ela, os ensinamentos do teatro e da televisão ajudam a tocar o negócio. “Além da criatividade, tem a exposição ao erro e o aprendizado de lidar com o processo, porque no teatro a gente fica ali num espetáculo imerso naquele mundo, ensaiando, descobrindo o personagem. Aqui o nosso trabalho é muito artesanal. É entender os processos, buscar testes e aprimoramentos. E no teatro a gente refaz a cena e fica fazendo, fazendo, fazendo para ir melhorando. Aqui na nossa produção também é isso. Na repetição para a gente conseguir excelência. É uma arte também”, compara.
Thais afirma que sempre haverá carinho entre as duas paixões. “Tenho uma relação de muito carinho com o teatro. Acredito que isso me moldou, moldou minhas características, porque entrei nesta etapa com 17 anos e ela me formou muito como ser humano. Então, se hoje produzo queijo e estou na zona rural, foi porque estudei teatro e tive esse contato com a arte. Tenho muito carinho por essa trajetória.”
Perguntada se trocaria a vida da roça por um grande centro urbano, Thais não hesita: “Voltar para a cidade grande agora, só a passeio. Estou muito feliz com o rumo que a minha vida tomou e me sinto muito realizada de poder estar construindo e poder estar vivendo o meu sonho trabalhando. Sempre tive o sonho de morar na roça, só que não enxergava como ia fazer isso. Então não me vejo saindo daqui. Pelo contrário, me vejo cada vez mais produzindo e criando muitos projetos rurais. A cidade grande e o asfalto são só a passeio”, finaliza.



