Fleury entra em negociação para criação de nova empresa de oncologia com Porto Seguro e Oncoclínicas
O Grupo Fleury, tradicionalmente conhecido por seus serviços de medicina diagnóstica, incluindo exames laboratoriais e de imagem, anunciou nesta segunda-feira (23) um aditivo para aderir a um acordo preliminar que envolve a Oncoclínicas, especializada no tratamento de câncer, e a Porto Seguro, que atua principalmente com seguros, planos de saúde e serviços financeiros.
Objetivo é criar nova companhia com clínicas de oncologia
A ideia central do projeto é estabelecer uma nova empresa que reuniria as clínicas de oncologia que atualmente pertencem à Oncoclínicas. Essa nova companhia não apenas consolidaria essas operações, mas também poderia assumir parte das dívidas da empresa, com um limite estabelecido em R$ 2,5 bilhões.
Para viabilizar o plano, Fleury e Porto Seguro pretendem investir juntos R$ 500 milhões e ficariam no controle do novo negócio. No entanto, os detalhes específicos sobre como essa divisão de controle e investimentos funcionaria ainda não foram totalmente definidos, deixando espaço para negociações futuras.
Estrutura financeira inclui empréstimo conversível
Em comunicado oficial ao mercado, o Grupo Fleury esclareceu que o projeto também contempla uma espécie de "empréstimo" que pode se transformar em participação acionária na empresa no futuro. Esse valor adicional seria de R$ 500 milhões, com um prazo de até quatro anos e rendimento atrelado ao CDI, uma taxa básica de juros do mercado financeiro.
Essa estrutura financeira visa proporcionar flexibilidade e incentivos para o crescimento da nova empresa, alinhando os interesses das partes envolvidas com o desempenho do negócio a longo prazo.
Negociação amplia acordo preliminar anterior
O movimento anunciado pelo Fleury amplia uma negociação que já havia sido divulgada no início deste mês. No dia 13 de março, Oncoclínicas e Porto Seguro assinaram um acordo preliminar para criar uma nova empresa que reuniria as clínicas de oncologia da Oncoclínicas.
Pelo plano inicial, a Porto Seguro investiria R$ 500 milhões no negócio e passaria a ter poder de decisão na nova companhia, com pelo menos 30% de participação. A entrada do Fleury agora modifica esse cenário, trazendo mais recursos e expertise em medicina diagnóstica para a mesa de negociações.
Processo ainda está em fase inicial e sujeito a aprovações
É importante destacar que, por enquanto, tudo ainda está em fase inicial. As empresas têm um prazo de 30 dias para negociar os termos finais do acordo. Além disso, o negócio ainda depende de uma série de etapas críticas, incluindo:
- Análises internas detalhadas por parte de cada empresa envolvida.
- Auditorias financeiras e operacionais para avaliar a viabilidade do projeto.
- Aprovação de órgãos reguladores competentes, que devem analisar aspectos concorrenciais e de compliance.
O Grupo Fleury foi enfático ao afirmar que nada foi fechado até agora, ressaltando a natureza preliminar das discussões e a necessidade de cumprir todas as etapas regulatórias antes de qualquer conclusão definitiva.
Essa iniciativa reflete uma tendência crescente no setor de saúde brasileiro, onde grandes players buscam sinergias e consolidações para otimizar recursos, expandir serviços e enfrentar os desafios econômicos e operacionais do mercado.



