Ex-CEO da CVC atribui queda nas ações a Copom e conflito no Irã, não a resultados
Ex-CEO da CVC: Copom e Irã causaram queda nas ações

Ex-CEO da CVC explica queda nas ações: Copom e conflito no Irã são os responsáveis

No dia seguinte à divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, as ações da CVC, uma das maiores agências de viagens do Brasil, registraram uma queda de 0,52%, mantendo uma tendência negativa que já vinha sendo observada nos pregões anteriores. A queda acumulada no mês de março chegou a impressionantes 16,5%, levantando questionamentos sobre as causas desse desempenho.

Resultados robustos não justificam a desvalorização, diz ex-executivo

Fábio Godinho, que esteve à frente da companhia até janeiro de 2026, afasta qualquer possibilidade de que os números trimestrais tenham sido mal recebidos pelo mercado. Em entrevista exclusiva ao Radar Econômico, Godinho destacou que os resultados divulgados são excelentes e robustos, não justificando a desvalorização das ações.

A CVC reportou um prejuízo líquido de 3,6 milhões de reais nos últimos três meses de 2025, um desempenho significativamente melhor em comparação com o rombo de 12,8 milhões de reais registrado no mesmo período do ano anterior. Essa melhora financeira, no entanto, não foi suficiente para conter a queda nas cotações.

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Fatores externos pressionam o desempenho da CVC

Godinho atribui a queda nas ações a dois fatores pontuais e externos à operação da empresa:

  • Corte menor de juros pelo Copom: Na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em apenas 0,25 ponto percentual, mantendo-a em 14,75% ao ano. O ex-CEO argumenta que juros elevados são prejudiciais para empresas com alavancagem, como a CVC, que depende de crédito para financiar suas operações.
  • Conflito no Irã e alta do petróleo: A guerra no Oriente Médio tem provocado aumentos nos preços do petróleo, o que encarece diretamente o combustível de avião. Como a CVC atua no setor de viagens, esse custo adicional impacta indiretamente seus negócios, afetando a percepção dos investidores.

"Os números divulgados nesta semana são excelentes", reforçou Godinho. "A queda nas ações tem a ver com fatores pontuais, como a queda nos juros menor do que o esperado e a guerra no Irã", concluiu, destacando que a situação geopolítica e as decisões monetárias criam um ambiente desfavorável, independentemente dos resultados operacionais da empresa.

Contexto econômico e suas implicações

O cenário descrito por Godinho reflete como variáveis macroeconômicas e geopolíticas podem influenciar drasticamente o mercado de ações, mesmo quando as empresas apresentam desempenhos financeiros sólidos. A combinação de juros altos e instabilidade no Oriente Médio cria incertezas que afetam setores sensíveis, como o de turismo e viagens.

Investidores e analistas agora acompanham de perto como a CVC e outras empresas do ramo irão se adaptar a esses desafios externos, enquanto buscam manter sua rentabilidade em um contexto econômico volátil.

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