Desafios na gestão empresarial em 2026: capacitação de líderes lidera ranking pela primeira vez
Capacitação de líderes é maior desafio empresarial em 2026

Capacitação de líderes se torna principal desafio das empresas em 2026

Pela primeira vez na série histórica do relatório Tendências em Gestão de Pessoas, produzido pela consultoria global Great Place To Work (GPTW), o desenvolvimento e a capacitação da liderança aparecem como o maior desafio enfrentado pelas empresas brasileiras e latino-americanas. O estudo, que ouviu 1.577 profissionais (sendo 1.346 no Brasil e 227 em outros países da região), revela que 43,9% dos respondentes apontam essa questão como principal gargalo organizacional.

Mudança estrutural na gestão de pessoas

"Existe uma urgência em desenvolver a liderança tanto no Brasil quanto na América Latina", afirma Daniela Diniz, diretora da GPTW Brasil. "No ranking de desafios, desenvolvimento da liderança orbitava entre os três, quatro primeiros nas edições passadas. Neste ano ficou em primeiro lugar, indicando que o problema deixou de ser pontual e passou a ser estrutural."

O levantamento mostra uma clara mudança nas prioridades empresariais para 2026:

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  • Desenvolvimento da liderança: 57,4% das menções como principal prioridade
  • Contratação de profissionais qualificados: 42,9% dos respondentes citam como desafio
  • Comunicação interna: 28,2% apontam como obstáculo significativo
  • Fortalecimento da cultura organizacional: aparece entre as três principais prioridades

Pressão sobre resultados e incerteza crescente

A pesquisa revela um paradoxo interessante nas expectativas sobre liderança. Pela primeira vez, entregar resultados foi apontado como a principal característica valorizada nos líderes, superando a empatia que liderava o ranking nos últimos três anos.

"Existe um paradoxo", explica Daniela Diniz. "Eu quero uma liderança que seja diferente, mas quando a gente vai diretamente e pergunta que liderança você quer, a primeira resposta é que entregue resultados. Essa liderança está vivendo dias bem desafiadores, porque ela tem que entregar resultados em um contexto de crescente incerteza."

O sentimento de incerteza atinge seu maior nível na série histórica, com 35,4% dos respondentes apontando essa sensação em relação aos negócios para 2026. Em 2019, esse percentual era de apenas 16%, indicando uma mudança significativa no clima empresarial.

Escassez de mão de obra qualificada

O problema da falta de profissionais qualificados se intensifica em 2026, com 61,4% das empresas relatando dificuldade para preencher vagas - o maior nível já registrado na série histórica do estudo.

"Eu tenho que contratar, mas não tenho gente. Então sobra para a liderança, que vai ter que se virar, ter leitura de cenário e tomar decisões assertivas", destaca a diretora da GPTW Brasil. "Se você não tiver uma liderança realmente preparada, com uma mentalidade para trabalhar com diferentes gerações e expectativas, muitos dos problemas aparecem."

Inteligência Artificial na agenda empresarial

A inteligência artificial começa a ganhar espaço nas preocupações das empresas, mas ainda de forma limitada. No Brasil, apenas 10,3% dos respondentes apontaram a IA como um dos principais desafios da gestão de pessoas, enquanto na lista de prioridades para 2026, o tema aparece com 18,7% das menções.

Na América Latina como um todo, o peso é maior: a IA surge como prioridade para 27,3% das empresas. No entanto, o investimento ainda é restrito, com cerca de metade das empresas afirmando investir em capacitação em inteligência artificial.

"Quando a gente pergunta qual é a sua familiaridade com IA, a pessoa diz que tem relativa ou alta familiaridade. Quando perguntamos qual a familiaridade da empresa, é mais baixa", observa Daniela Diniz. "O profissional é quase um autodidata. Existe um sentimento de que a IA pode substituir empregos no setor, mas quando perguntamos sobre o próprio cargo há uma segurança muito forte."

Consolidação dos modelos de trabalho

O relatório indica uma estabilização nos formatos de trabalho adotados pelas empresas. O modelo presencial segue predominante, sendo adotado por cerca de 51% das organizações, seguido pelo híbrido com aproximadamente 42%.

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O trabalho 100% remoto apresenta queda, passando de cerca de 9% para 7% nas empresas pesquisadas. "A gente já não percebeu muitas diferenças nos modelos adotados, indicando uma consolidação", afirma a diretora da GPTW. "O item definição de modelo de trabalho hoje mal aparece no ranking de desafios."

Segundo os dados, empresas com modelos mais flexíveis apresentam melhores indicadores organizacionais. "Quanto mais flexível é o modelo da empresa, ela tem um pouco menos dificuldade de contratar, um turnover menor e um engajamento maior", conclui Daniela Diniz.