Banco do Brasil projeta 2026 desafiador após lucro afundar 45% em 2025
Em teleconferência realizada nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, a CEO do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou que o próximo ano será desafiador para a instituição financeira. A declaração ocorre após a companhia reportar um lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões no acumulado de 2025, representando uma queda expressiva de 45,4% em comparação com 2024.
Para 2026, o banco espera um crescimento moderado nos resultados, projetando ganhos entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. Esse intervalo indica uma alta de 6,3% a 25,6% em relação ao lucro de 2025. Além disso, a margem financeira deve avançar entre 4% e 8%, enquanto as receitas com prestação de serviços podem subir de 2% a 6%.
Estratégias para enfrentar o cenário adverso
Para atingir essas metas, a executiva destacou que o Banco do Brasil manterá uma gestão estratégica e cautelosa na concessão de crédito. A carteira de crédito deve crescer entre 0,5% e 4,5%, com provisões estimadas entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões no acumulado do próximo ano.
No segmento de pessoas físicas, o banco focará na alta renda, ampliando sua atuação no Private Bank com um aumento de 20% na assessoria de investimentos. “Vemos esse setor como um ativo de alto valor, com expansão no crédito para a alta renda no cartão de crédito”, afirmou Tarciana Medeiros.
O banco também pretende liderar no consignado do funcionalismo público e alcançar pelo menos 20% de participação de mercado no crédito consignado para trabalhadores do setor privado. A isenção do imposto de renda no consignado privado pode gerar um incremento de R$ 28 bilhões na carteira de crédito de pessoas físicas.
Agronegócio: recuperação lenta a partir do segundo semestre
O agronegócio enfrentou sérios problemas em 2025, com a inadimplência disparando de 2,23% no fim de 2024 para 6,09% em 2025, um avanço de 3,86 pontos percentuais em 12 meses. Felipe Prince, CRO do Banco do Brasil, explicou que a inadimplência do setor deve melhorar a partir do segundo semestre de 2026, graças à Medida Provisória 1.314.
Essa MP autoriza o uso de até R$ 12 bilhões do superávit financeiro de fontes da União, geridos pelo BNDES, para criar novas linhas de crédito rural. O objetivo é socorrer produtores rurais e cooperativas afetadas por eventos climáticos extremos entre 2020 e 2025, facilitando a liquidação ou amortização de dívidas.
“Teremos sim uma melhora na carteira, com redução de risco. No entanto, a adimplência não deve caminhar de uma forma rápida”, afirmou Prince. O CFO, Marco Geovanne Tobias, complementou que a trajetória de recuperação é incerta, podendo assumir formatos como “W” ou em escada”, mas não uma recuperação em “V”.
Expansão cautelosa e cenário macroeconômico
Apesar das dificuldades, o Banco do Brasil planeja ampliar sua presença no agronegócio, com a abertura de 230 novas praças no segmento agro. “Buscaremos clientes com capacidade de pagar e vamos permanecer com eles a safra inteira para manter a boa avaliação de risco”, disse a CEO.
Essa cautela na concessão de crédito alinha-se com outros bancos, que também enxergam 2026 como um ano desafiador devido ao cenário macroeconômico. O Banco do Brasil prevê uma leve alta do desemprego, dos atuais 5,4% para 6%, e estima a Selic em 12% ao ano até o fim de 2026, uma queda de 3 pontos percentuais, mas ainda em patamar elevado que encarece o crédito.
Na visão de Tarciana Medeiros, as projeções reforçam a necessidade de atuação com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. “Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro”, concluiu a executiva.



