Ibovespa inicia pregão em queda com atenção a dados de emprego e cenário internacional
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, abriu o pregão desta quinta-feira, 5 de março de 2026, em território negativo, marcando 182.738 pontos. A movimentação reflete a reação cautelosa dos investidores diante dos novos números do mercado de trabalho brasileiro e da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fatores que influenciam diretamente as decisões de alocação de recursos.
Dados do emprego reforçam prudência sobre cortes de juros
Mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). A taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, praticamente estável em relação ao período anterior, que terminou em outubro de 2025.
Segundo o levantamento, o país soma aproximadamente 5,9 milhões de pessoas desocupadas, número inferior aos 6,2 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Já a população ocupada, que representa o total de trabalhadores, alcançou a marca de 102,7 milhões de indivíduos.
Para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, esses indicadores sugerem que o Banco Central deve manter uma postura prudente na condução da política monetária. "Acreditamos que o Copom deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, para 14,75%, levando os juros a 12,5% ao fim do ano", explicou a especialista.
Setores financeiro e varejista apresentam desempenhos mistos
No mercado acionário, os papéis dos grandes bancos abriram o dia em queda, com destaque para:
- Banco Bradesco (BBDC4): liderava as perdas com recuo de 1,07%
- Banco Santander Brasil (SANB11): registrava queda de 0,78%
- Itaú Unibanco (ITUB4): operava em baixa de 0,42%
- Banco do Brasil (BBAS3): apresentava recuo de 0,31%
Entre as varejistas, o desempenho era misto, com algumas empresas registrando altas enquanto outras caíam:
- Arezzo (AZZA3): maior alta do setor com avanço de 0,71%
- Americanas (AMER3): subia 0,58%
- Riachuelo (RIAA3): caía 0,62%
- Magazine Luiza (MGLU3): recuava 0,52%
Cenário internacional influencia volatilidade e busca por proteção
No câmbio, o dólar operava em 5,24 às 11h20, refletindo a busca por ativos considerados mais seguros em momentos de incerteza. Em contraste, os principais índices de Wall Street mostravam desempenho positivo: o Dow Jones avançava 0,49%, o Nasdaq Composite subia 1,29% e o S&P 500 registrava alta de 0,78%.
De acordo com João Kepler, CEO da Equity Group, crises envolvendo grandes potências ou regiões estratégicas para o fornecimento de energia tendem a aumentar a volatilidade nos mercados. "Isso faz com que os investidores reduzam as posições em renda variável e busquem proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar", afirmou o executivo.
Bruno Yamashita, Coordenador de Alocação e Inteligência, explicou que o principal ponto que o mercado acompanhará nesta quinta-feira serão os desdobramentos da guerra. "Uma das principais atenções é para como a cadeia de suprimento de petróleo vai reagir, mas também os possíveis impactos, como tentar mensurar qual pode ser o efeito em viagens e entretenimento", pontuou. "Já amanhã será um dia importante para dados econômicos nos Estados Unidos com a divulgação do dado de payroll", completou o especialista.
O cenário combina assim fatores domésticos e internacionais que mantêm os investidores em estado de alerta, equilibrando expectativas sobre a política monetária brasileira com os riscos geopolíticos que afetam os mercados globais.
