Ibovespa atinge novo recorde histórico apesar de tensões entre EUA e Irã
Ibovespa bate recorde mesmo com tensão EUA-Irã

Ibovespa renova máxima histórica em meio a cenário geopolítico tenso

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, abriu em forte alta nesta terça-feira (10 de março de 2026) e alcançou a marca histórica de 181.584 pontos, registrando um avanço significativo de 0,51% logo no início do pregão. Esse movimento positivo ocorre mesmo diante do aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, além das preocupações de países europeus com a escalada nos preços internacionais do petróleo.

Bancos e varejo lideram alta no pregão

Entre os papéis de maior peso no índice, os grandes bancos iniciaram o dia no campo positivo, demonstrando robustez mesmo em um cenário internacional volátil. As ações do Bradesco (BBDC4) lideravam os ganhos do setor financeiro, com alta expressiva de 1,23%, seguidas pelo Banco do Brasil (BBAS3), que avançava 0,85%. Já Santander (SANB11) e Itaú (ITUB4) também operavam em alta, porém com movimentos mais moderados, de 0,32% e 0,21%, respectivamente.

No setor de varejo, os destaques ficaram com a Arezzo (AZZA3), que registrava o segundo dia consecutivo de forte valorização, com alta impressionante de 5,14%. Na sequência apareciam Petz (PETZ3), com 2,20%, e Casas Bahia (BHIA3), que avançava 1,75%. Entre os papéis mais negociados do pregão estavam Itaúsa (ITSA4), com leve queda de 0,07%, e Itaú (ITUB4), em alta de 0,21%.

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Análise de mercado e cenário internacional

No lado negativo do índice, as maiores baixas eram registradas por GPA (PCAR3), com recuo de 6,59%, e Raízen (RAIZ4), que caía 5,45%. Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, parte do mercado entende que o conflito entre Estados Unidos e Irã pode não evoluir para uma interrupção prolongada no fornecimento global de petróleo, o que reduz momentaneamente a pressão sobre ativos de risco. "Ainda assim, o avanço é limitado porque os investidores continuam monitorando o impacto da commodity na inflação global e nas decisões de política monetária", afirma o especialista.

No exterior, o ambiente segue marcado por cautela extrema. Para Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, a moeda americana voltou a ganhar força em meio ao aumento da aversão ao risco internacional. "O mercado global segue operando em modo defensivo diante da guerra entre Estados Unidos e Irã e do risco de interrupção no fluxo de petróleo no Oriente Médio. Esse tipo de cenário aumenta a busca por proteção e fortalece o dólar, especialmente em economias emergentes como a brasileira", explica o executivo.

Por volta das 11h10 desta terça-feira, o dólar operava em 5,18 reais, enquanto em Wall Street os índices futuros apresentavam desempenho misto: o Dow Jones recuava 0,13%, o S&P 500 caía 0,10%, enquanto o Nasdaq avançava 0,11%. Esse cenário contrastante demonstra a complexidade do momento atual nos mercados financeiros globais.

Contexto histórico e comparações

Vale destacar que essa performance positiva do Ibovespa ocorre em contraste com momentos históricos de forte volatilidade. Em 28 de janeiro de 2019, por exemplo, a bolsa paulista perdeu quase 3.000 pontos, com a queda acentuada das ações da Vale e Bradespar. Naquela ocasião, as ações ordinárias das duas empresas perderam cerca de 19% no início da sessão de negociação, refletindo a tragédia de Brumadinho (MG) no primeiro dia útil após o desastre.

A abertura das duas ações durou mais que o normal naquele dia, mas o declínio do Ibovespa foi moderado, seguindo a variação negativa das bolsas europeias. Às 13h18 daquele dia histórico, o Ibovespa caía 2,63%, para 95.105 pontos, enquanto as ações ON da Vale registravam queda de 22,48%. Esse contraste entre momentos de crise e recuperação ilustra a resiliência do mercado brasileiro diante de diferentes cenários econômicos e geopolíticos.

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