Guerra no Golfo Pérsico eleva projeções da Selic para 13,50% e inflação no Brasil
Guerra eleva Selic para 13,50% e inflação no Brasil

Guerra no Golfo Pérsico impulsiona revisões da Selic e inflação no Brasil

Os impactos da guerra no Golfo Pérsico estão levando agentes financeiros a preverem mais inflação no mundo e no Brasil, com revisões significativas nas projeções para as taxas de juros. Instituições como Itaú, Bradesco e a consultoria 4intelligence já ajustaram suas estimativas, refletindo um cenário econômico menos benigno.

Revisões inflacionárias e projeções da Selic

O Itaú revisou o IPCA de 2026 para 4,5%, com viés de alta, enquanto o Bradesco elevou sua previsão de 3,8% para 4,3%. A consultoria 4intelligence projetou um IPCA de 4,7%. No entanto, a maior mudança ocorreu nas expectativas para a Selic: o Bradesco, de onde veio o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton Davi, aumentou a previsão para dezembro de 12,00% para 12,50%. O Itaú já trabalha com mais de 13%, e a 4intelligence elevou sua projeção para 13,50% na atualização semanal do cenário.

Quadro inflacionário menos favorável

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A consultoria justifica a piora no cenário, destacando que, além do ritmo mais forte da atividade econômica, o quadro inflacionário tornou-se menos benigno nas últimas semanas. A inflação medida pelo IPCA de março surpreendeu negativamente, e há sinais de que pressões recentes, como na alimentação no domicílio e nos combustíveis, devem persistir em abril, mantendo a taxa mensal pressionada.

Esse ambiente reforça a probabilidade de que o Copom (Comitê de Política Monetária) prossiga com bastante cautela no processo de flexibilização monetária, optando por cortes de apenas 25 pontos-base em suas próximas reuniões. Diante disso, a 4intelligence alterou suas projeções para a taxa básica de juros, passando a contemplar reduções de 25 pontos-base por reunião até novembro, o que levaria a Selic para 13,5% ao ano.

Cenário global e impactos no câmbio

Nos Estados Unidos, os dados mais recentes indicam que o choque de oferta associado aos preços de energia tende a ser temporário. A ausência de sinais de recessão imediata afasta a necessidade de cortes de juros pelo Fed, enquanto o caráter transitório das pressões inflacionárias não justifica elevações. Projeta-se que o Fed manterá sua taxa de juros básica inalterada ao longo do ano.

Embora o salto dos preços do petróleo seja avaliado como temporário, ele deixará sequelas duradouras, mantendo-se como um grande fator de incerteza no cenário externo. No curto prazo, o choque mantém o balanço de riscos para a inflação global inclinado para cima, com mais chance de a inflação seguir pressionada do que de uma desaceleração rápida.

No Brasil, o fluxo cambial foi bastante positivo no primeiro trimestre do ano, refletindo a percepção de que o país se beneficia de sua condição de exportador líquido de petróleo. A evolução do superávit comercial também contribui para um cenário cambial mais favorável, com projeções revisadas para cima. Apesar disso, outros elementos, como a aceleração da atividade econômica e a deterioração dos índices de preços, ampliam as dificuldades para o combate à inflação.

A alta do IPCA acumulada em 12 meses deverá ultrapassar o teto da meta de 4,5% a partir de meados do ano, um cenário contrastante com as previsões anteriores à guerra, que indicavam uma queda abaixo de 3,2% na mesma ocasião.

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