A Geração Z, composta por jovens entre 15 e 29 anos, cresceu imersa no ambiente digital, consumindo conteúdos rápidos e acessando facilmente informações sobre finanças pessoais em redes sociais, YouTube e aplicativos. No entanto, esse acesso não se traduziu em equilíbrio financeiro. Dados do Banco Central revelam que essa faixa etária se tornou a mais inadimplente do Brasil, superando todas as outras gerações.
Buscas por quitar dívidas dominadas pelos jovens
O comportamento é refletido nas pesquisas online. Entre abril de 2025 e março de 2026, os jovens foram responsáveis por 57,1% de todo o interesse no Google pelo termo "quitar dívidas", segundo levantamento da plataforma Pagou Fácil, da Paschoalotto. O estudo analisou o comportamento financeiro da Geração Z com base em dados de busca sobre regularização de crédito e intenção de compra no Brasil.
Expansão do crédito e uso do cartão
Parte do problema está relacionada ao rápido aumento do acesso ao crédito. O Relatório de Cidadania Financeira de 2025 mostra que o número de jovens com acesso a crédito saltou de 13,7 milhões em 2016 para 27,6 milhões em 2024, um crescimento de 101%. O cartão de crédito é a principal ferramenta financeira dessa geração: em 2024, cerca de 17 milhões de jovens usaram o cartão à vista, enquanto 13 milhões recorreram ao crédito rotativo ou parcelado, modalidades com juros elevados que podem comprometer o orçamento sem planejamento adequado.
Comparação com gerações anteriores
O comportamento contrasta com o de gerações que viveram hiperinflação e instabilidade econômica nos anos 1980 e 1990, desenvolvendo uma relação mais cautelosa com o dinheiro, com hábito de poupar e evitar endividamento. Já a Geração Z cresceu em um ambiente digital com crédito facilitado, parcelamentos e consumo instantâneo.
Segurança financeira ainda é prioridade
Apesar das dificuldades, a estabilidade financeira continua sendo um objetivo importante. Segundo pesquisa da MindMiners intitulada "Gen Z: os novos autores da cultura", 52% dos jovens entre 18 e 28 anos afirmam que alcançar segurança financeira está entre as principais prioridades da próxima década. No entanto, eles enfrentam obstáculos como baixos salários (48%), exigência de experiência prévia (39%), alta concorrência profissional (35%) e falta de networking (32%).
O cenário mostra que a relação da Geração Z com o dinheiro vai além do consumo impulsivo. A combinação de pressão econômica, mercado de trabalho competitivo e facilidade de crédito ajuda a explicar por que tantos jovens buscam renegociar dívidas, mesmo sendo uma geração considerada digitalmente informada.



