O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma taxa de desocupação de 6,1%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 14 de maio. No entanto, essa média nacional esconde disparidades significativas entre os estados brasileiros. Enquanto algumas regiões enfrentam altos índices de desemprego, outras já experimentam uma situação próxima do pleno emprego.
Desemprego elevado nas regiões Norte e Nordeste
As regiões Norte e Nordeste concentram os maiores índices de desocupação. O Amapá, por exemplo, registrou uma taxa de desemprego quase quatro vezes maior que a de Santa Catarina, o estado com a menor taxa do país. Outros estados com altos índices incluem o Amazonas, o Pará e o Maranhão. A falta de oportunidades formais e a dependência de setores sazonais contribuem para esse cenário.
Pleno emprego em estados com agro negócio forte
Por outro lado, estados onde o agro negócio é predominante, como Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, apresentam taxas de desemprego muito baixas, próximas de 3% ou menos. Esses estados se beneficiam da forte demanda por mão de obra no campo e nas indústrias relacionadas. Santa Catarina, em particular, destaca-se como o estado com a menor taxa de desocupação do país, praticamente em pleno emprego.
Aumento do desemprego no início do ano
O IBGE apontou que 15 dos 27 estados tiveram aumento na taxa de desocupação no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o último trimestre de 2025. O maior incremento foi registrado no Ceará, com alta de 2,3 pontos percentuais. Em São Paulo, o estado mais rico da federação, o aumento foi de 1,3 ponto percentual. Já no Rio de Janeiro, a taxa permaneceu estável. Esse fenômeno é comum no início do ano, quando as empresas dispensam funcionários temporários contratados para as festas de fim de ano, especialmente nos setores de serviços e comércio.
Critérios do IBGE para desemprego
Seguindo as convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o IBGE considera desocupada a pessoa que procurou ativamente por trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa e estava disponível para assumir uma vaga na semana da entrevista. Também são incluídos aqueles que não procuraram emprego porque já haviam sido contratados, mas ainda aguardavam para iniciar. Por outro lado, uma pessoa é considerada ocupada se exerceu pelo menos uma hora de trabalho remunerado na semana anterior. Isso inclui trabalho assalariado, funcionalismo público, trabalho em troca de bens, treinamento ou benefícios, e até mesmo ajudar um familiar em atividade profissional sem remuneração.
Perspectivas para o mercado de trabalho
Embora a taxa nacional de desemprego de 6,1% seja relativamente baixa na série histórica, as desigualdades regionais permanecem um desafio. Políticas públicas focadas em geração de emprego e qualificação profissional são essenciais para reduzir as disparidades e promover o pleno emprego em todo o Brasil.



