Dados Econômicos de 2026 Desmentem Previsões Pessimistas do Mercado Financeiro
Os primeiros dados da economia brasileira em 2026 estão desmentindo as previsões mais pessimistas dos economistas do mercado financeiro. Os departamentos econômicos dos bancos, que projetavam cenários negativos, começam a revisar suas estimativas diante de indicadores mais favoráveis.
Inflação em Desaceleração e Revisão de Projeções
O Santander, sob a liderança de Ana Paula Vescovi, já reduziu sua projeção do IPCA para 2026 de 3,8% para 3,7%. Com a inflação mostrando-se mais benigna, o banco também baixou a expectativa para a taxa Selic de 12,50% para 12,00%, antecipando cortes de 0,50% nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central, marcadas para 18 de março e 29 de abril.
O IGP-M de fevereiro registrou queda de -0,73%, influenciado principalmente pela baixa de 1,18% nos preços por atacado. Destaques negativos incluem o minério de ferro, com recuo de 6,92%, e o café, que teve queda expressiva de 9,17%. A expectativa do mercado era uma taxa de 0,61%, tornando o resultado ainda mais significativo.
Nos últimos 12 meses, o IGP-M acumula 2,67%, um contraste marcante com janeiro do ano passado, quando houve alta de 1,06% e a taxa acumulada em 12 meses alcançou 8,44%. Essa desaceleração dos preços decorre dos altos juros reais da Selic, que atingiram 10,11% em fevereiro, após o IPCA fechar em 4,44% nos 12 meses terminados em janeiro.
Contas Fiscais Começam o Ano com Resultado Positivo
O governo central, através da Secretaria do Tesouro Nacional, registrou resultado primário de +R$ 86,9 bilhões em janeiro. Esse valor supera a estimativa da consultoria 4Intelligence, que projetava +R$ 83,4 bilhões, mas fica abaixo da mediana das expectativas de mercado, que era de +R$ 89,4 bilhões.
As transferências a estados e municípios ficaram abaixo do esperado, enquanto o governo central manteve déficit de -R$ 59,9 bilhões em 12 meses, equivalente a -0,5% do PIB. A consultoria 4Intelligence espera que o acumulado permaneça em patamar negativo e termine 2026 em -0,4% do PIB.
Na análise detalhada do mês:
- A Receita Administrada pela RFB apresentou incremento de +3,7% anual
- A Arrecadação Líquida para o RGPS cresceu +6,9% em 12 meses, influenciada pelas condições ainda favoráveis do mercado de trabalho
- Houve recuo nas Receitas Não Administradas pela RFB (-18,9% anual), devido às menores receitas pela exploração de recursos naturais
- Após as transferências (+6,7% anual), houve pequeno incremento na Receita Líquida (+1,2% anual)
O problema reside nas despesas, que variaram +2,9% em relação ao ano anterior, com crescimento das obrigatórias como Benefícios Previdenciários (+5,3% anual) e Pessoal e encargos sociais (+10,3%).
O Calcanhar de Aquiles: Juros Bancários em Ascensão
Enquanto os indicadores de inflação mostram desaceleração, causada pelo garrote do crédito que esfria a economia, os juros bancários seguem trajetória oposta, endividando famílias e pequenas e médias empresas.
Segundo dados do Banco Central, as taxas de juros do crédito livre voltaram a subir em janeiro, pelo quarto mês consecutivo para as famílias, atingindo 61,8% ao ano. Em janeiro de 2025, essa taxa estava em 55,0%. As modalidades com maiores taxas são o crédito pessoal não consignado e o cartão de crédito.
Para as empresas, houve leve recuo, com a taxa do crédito livre encerrando janeiro em 24,1%. A inadimplência do crédito livre ficou quase estável no mês:
- Para pessoas físicas: 7,0%, com destaque para alta no crédito pessoal não consignado
- Para pessoas jurídicas: 3,4%, ante 2,9% em janeiro de 2025
O Bradesco ressalta que esses números são influenciados pela mudança metodológica introduzida pela Resolução nº 4.996 no início do ano passado. Segundo o Banco Central, cerca de 70% da inadimplência registrada até junho de 2025 decorre dessa alteração regulatória.
O comprometimento da renda das famílias com o serviço da dívida subiu de 27,4% em 2024 para 29,2% em 2025 - nível historicamente elevado - enquanto o endividamento se manteve em 49,7%. Esta pressão sobre o orçamento familiar representa um desafio significativo mesmo diante da melhora em outros indicadores macroeconômicos.



