Bolsa se recupera após crise política; BB fraco e risco fiscal pesam
Bolsa se recupera após crise política; BB fraco e risco fiscal

O Ibovespa iniciou o pregão desta quinta-feira, 14, em recuperação após a forte queda registrada na véspera, sustentado por um ambiente internacional mais favorável ao risco. O principal índice da bolsa brasileira subia cerca de 0,94%, aos 178,7 mil pontos, enquanto o dólar comercial recuava 0,55%, cotado a 4,97 reais.

Contexto político e fiscal

A recuperação ocorre após a repercussão da ligação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master, que ampliou incertezas eleitorais e fiscais. Na quarta-feira, o Ibovespa tombou 1,80% e o dólar voltou a superar os 5 reais, em um movimento de forte aversão a risco local.

Desempenho do Banco do Brasil

O Banco do Brasil foi um dos destaques corporativos, divulgando lucro líquido ajustado de 3,4 bilhões de reais no primeiro trimestre, queda de 53,5% na comparação anual e resultado 17% abaixo das projeções do mercado. A inadimplência subiu para 5,05% na carteira de crédito, e as provisões para devedores duvidosos saltaram 85,8%, alcançando 18,9 bilhões de reais. O ROE caiu para 7,3%.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Cenário internacional

Nos Estados Unidos, os futuros dos principais índices avançaram com força, impulsionados pela Cisco, que disparou cerca de 15% com projeções robustas para inteligência artificial, e pelo IPO bilionário da fabricante de chips Cerebras, que levantou US$ 5,55 bilhões. O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na China trouxe sinais positivos para o mercado, reacendendo expectativas de avanços em acordos comerciais.

Investidores acompanham a possível confirmação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve, movimento que pode alterar expectativas futuras para juros americanos, em um contexto ainda marcado por inflação resistente e cautela monetária.

Opinião de especialistas

“Quando juros, câmbio e cenário externo seguem voláteis, investidores passam a exigir mais governança, eficiência e capacidade de execução”, afirma João Kepler, CEO da Equity Group. “A recuperação da bolsa mostra que há apetite por ativos de risco, mas o mercado continua premiando negócios consistentes e preparados para crescer com disciplina.”

Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, destaca: “Para fechar essa semana, o mercado vai ficar muito de olho no que pode sair de eventuais negociações entre Estados Unidos e China, além do conflito no Oriente Médio e do cenário doméstico brasileiro.”

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar