Wall Street Journal emite alerta sobre economia americana e queda do dólar
O Wall Street Journal, principal jornal econômico dos Estados Unidos, publicou nesta quinta-feira uma matéria que representa um grito de alerta sobre a perda gradativa do dólar e da economia americana no cenário mundial. Contrariando o otimismo do presidente Donald Trump em fazer a "América Grande novamente", a publicação adverte que chegou a hora de proteger os Estados Unidos, em vez de apenas vendê-los como estratégia de mercado.
Queda histórica do dólar e retirada de investimentos
Segundo a análise do WSJ, a queda do dólar para mínimas históricas é o sinal mais claro da apreensão dos investidores estrangeiros, que possuem cerca de US$ 36 trilhões em ações e títulos de longo prazo americanos. O jornal destaca que as compras estrangeiras de títulos do Tesouro americano diminuíram significativamente, com alguns fundos de pensão europeus começando a vender papéis americanos.
A matéria explica que "a ameaça de que estrangeiros possam se desfazer de ativos americanos - ou 'vender a América' - paira sobre os mercados desde que o presidente Trump retornou ao cargo no ano passado e desestabilizou a ordem mundial".
Pesquisa confirma tendência de venda de ativos americanos
Uma pesquisa do Bank of America realizada entre 6 e 11 de fevereiro com 42 gestores de fundos internacionais que administram US$ 702 bilhões em ativos confirmou a tendência de trocar o "buy America" pelo "sell America". Mais de 87% das respostas indicaram a intenção de vender ativos americanos, com gestores preferindo trocar dólares por ouro, outras moedas e commodities.
Nos últimos 12 meses, o ouro subiu 70,46% frente ao dólar, confirmando a migração de bancos centrais e grandes fundos de investimento para o metal precioso como reserva de valor, inclusive por receio de possíveis confiscos pelo governo Trump.
Desempenho do dólar frente a outras moedas
O dólar apresentou desempenho fraco no último ano, avançando apenas sobre o iene japonês, a lira turca e o peso argentino. Diante do yuan chinês, a moeda americana registrou queda de 4,76%, reforçando a perda de força no cenário internacional.
Impacto nos juros e vendas do comércio americano
As vendas no varejo americano recuaram 1,2% em dezembro de 2025, após cinco meses consecutivos de alta. O resultado ficou próximo do consenso de mercado, que previa queda de 1,1%. O comércio terminou o quarto trimestre de 2025 com alta de 1,5%, após subir 0,2% no terceiro trimestre.
Segundo análise do Bradesco, "a queda das vendas em dezembro foi generalizada, com oito das dez atividades pesquisadas recuando em relação a novembro". Os destaques negativos foram:
- Material de construção (-2,8%)
- Veículos (-2,4%)
- Móveis e eletrodomésticos (-0,7%)
- Supermercados (-0,3%)
No ano de 2025, o comércio varejista cresceu apenas 0,1%, contra 3,7% em 2024. As vendas mais relacionadas ao crédito caíram 0,8%, puxadas pela redução de quase 3% na venda de veículos. Já as vendas mais ligadas à renda aumentaram 0,5%, com contribuição positiva dos supermercados.
Perspectivas econômicas para os Estados Unidos
Para o Bradesco, a queda das vendas em dezembro devolve parte da alta verificada entre julho e novembro. As vendas fortes em novembro, provavelmente explicadas pela Black Friday, não se sustentaram no mês seguinte. O resultado do trimestre, ainda considerado forte, está alinhado com a projeção de uma leve aceleração do consumo das famílias no quarto trimestre de 2025.
O Produto Interno Bruto (PIB) americano como um todo deve registrar uma ligeira queda de 0,1% nos últimos três meses do ano passado, segundo as projeções do banco. O alerta do Wall Street Journal ressoa em um momento de incertezas sobre o futuro da economia americana e sua posição no cenário financeiro global.