TikTok é vendido nos EUA por US$ 14 bilhões após disputa geopolítica com a China
TikTok vendido nos EUA após disputa geopolítica com China

TikTok é vendido nos EUA por US$ 14 bilhões após disputa geopolítica com a China

Após anos de impasse e acusações de uso político de dados, o TikTok concluiu a venda de 80,1% de sua operação nos Estados Unidos por um valor estimado em US$ 14 bilhões. A transação marca o fim de uma longa disputa geopolítica entre Washington e Pequim, que colocou o popular aplicativo de vídeos no centro de uma batalha por influência digital e segurança nacional.

Histórico de tensões e acusações

Desde o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, entre 2017 e 2021, o governo americano acusava o TikTok de coletar dados de cidadãos dos EUA para o Partido Comunista Chinês. A ByteDance, empresa chinesa dona do aplicativo, sempre negou veementemente essas alegações, mas não encontrou alívio nas autoridades americanas.

Em 2024, o Congresso dos Estados Unidos aprovou uma lei exigindo que a empresa vendesse sua operação americana ou enfrentasse o banimento completo do território nacional. A Suprema Corte endossou a constitucionalidade da medida, e em janeiro de 2025, o aplicativo chegou a sair do ar por catorze horas — até que Trump decidiu adiar o banimento enquanto negociava um acordo com os chineses.

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Estrutura da nova joint venture

Em 22 de janeiro de 2026, o impasse finalmente foi resolvido com a criação da TikTok USDS Joint Venture LLC. Pela nova estrutura, a ByteDance retém apenas 19,9% da operação americana, enquanto os outros 80,1% ficam com investidores não chineses.

Os principais investidores incluem:

  • Oracle – 15%
  • Silver Lake – 15%
  • Fundo MGX dos Emirados Árabes – 15%

Shou Zi Chew, presidente global do TikTok, comemorou a conclusão do acordo, destacando a possibilidade de continuar contando com a "criatividade" e a "paixão" dos usuários americanos. Para os milhões de tiktokers e vendedores do TikTok Shop que passaram anos aflitos com a possibilidade de perder o sustento, não será necessário baixar um novo aplicativo.

Mudanças no algoritmo e preocupações com viés político

O acordo representa uma vitória significativa para Larry Ellison, fundador da Oracle e um dos principais aliados de Donald Trump. A Oracle será a parceira de segurança responsável por auditar o algoritmo e garantir que a ByteDance não tenha acesso aos dados dos aproximadamente 200 milhões de usuários americanos.

O algoritmo, considerado o ingrediente secreto do sucesso do TikTok, será "retreinado" usando apenas dados americanos. No entanto, críticos apontam que a concentração de poder nas mãos de um bilionário próximo ao governo levanta questões sobre moderação de conteúdo.

Se antes havia receio de influência chinesa, agora há quem tema um viés político americano na curadoria e distribuição de conteúdo na plataforma. A mudança no controle acionário transforma fundamentalmente a natureza da operação do TikTok nos Estados Unidos, inserindo-a mais profundamente no ecossistema tecnológico e político americano.

Impacto na geopolítica digital

Esta transação não é apenas uma operação comercial de grande escala, mas um marco na disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. A venda do TikTok nos EUA ilustra como plataformas digitais globais se tornaram peças centrais em conflitos geopolíticos, onde questões de segurança nacional, privacidade de dados e influência cultural se entrelaçam de maneira complexa.

O desfecho desta saga de anos demonstra o poder regulatório que governos nacionais podem exercer sobre empresas de tecnologia, mesmo quando estas operam em escala global. Para a ByteDance, a retenção de uma participação minoritária de 19,9% representa uma concessão estratégica que permite manter algum nível de presença no lucrativo mercado americano, enquanto cede o controle operacional e de dados.

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