Tarifaço de Trump: entenda as novas cobranças de 10% e o impacto para o Brasil
Tarifaço de Trump: novas cobranças de 10% e impacto para o Brasil

Tarifaço de Trump: entenda as mudanças e como ficam as cobranças para o Brasil

Os Estados Unidos começaram a aplicar, a partir desta terça-feira, uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos que não estejam cobertos por isenções específicas. A medida foi oficializada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) e corresponde à taxa inicialmente anunciada pelo presidente Donald Trump na sexta-feira, e não aos 15% mencionados por ele no dia seguinte.

Contexto e decisão da Suprema Corte

Após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas anteriores, justificadas por motivos de emergência, Trump anunciou uma nova taxa global temporária de 10%. No sábado (21), ele afirmou que elevaria esse percentual para 15%, mas a CBP esclareceu em comunicado que, exceto os produtos listados como isentos, as importações "estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%".

A decisão ampliou a incerteza em torno da política comercial dos EUA, sem esclarecer por que foi adotado o percentual mais baixo. O Financial Times citou um funcionário da Casa Branca segundo o qual o aumento para 15% ocorrerá posteriormente com uma ordem formal, mas a Reuters informou que não conseguiu confirmar essa informação de imediato.

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Detalhes da aplicação e base legal

A cobrança das novas tarifas começou à meia-noite, enquanto a aplicação das taxas anuladas pela Suprema Corte foi suspensa. Essas tarifas anteriores variavam de 10% a 50%, demonstrando a volatilidade das medidas.

A chamada Seção 122 da legislação americana autoriza o presidente a impor tarifas por até 150 dias a todos os países, com o objetivo de enfrentar déficits considerados "grandes e graves" na balança de pagamentos e problemas estruturais no sistema de pagamentos internacionais. Na ordem tarifária, Trump argumenta que há um desequilíbrio significativo nas contas externas dos EUA, refletido em:

  • Um déficit comercial anual de US$ 1,2 trilhão em bens.
  • Um déficit em conta corrente equivalente a 4% do PIB.
  • A reversão do superávit de renda primária.

Reações internacionais e advertências

Na segunda-feira, o presidente advertiu que países não devem recuar de acordos comerciais recentemente firmados com os EUA. Segundo ele, eventuais recuos resultarão na adoção de tarifas ainda mais elevadas, com base em outras leis comerciais, aumentando a pressão sobre parceiros como o Brasil.

O Japão informou nesta terça-feira que pediu aos Estados Unidos garantias de que será tratado, no novo regime tarifário, de forma tão favorável quanto no acordo atual. A União Europeia e o Reino Unido também sinalizaram que desejam preservar os acordos já firmados, indicando um cenário de negociações tensas.

Impacto para o Brasil e perspectivas

Para o Brasil, a aplicação da tarifa de 10% significa um aumento nos custos de importação de produtos não isentos, podendo afetar setores como:

  1. Agronegócio, com possíveis impactos em commodities.
  2. Indústria, devido a componentes e bens intermediários.
  3. Consumidores, com riscos de inflação em produtos importados.

A medida reforça a necessidade de monitoramento contínuo das políticas comerciais dos EUA, já que Trump deixou claro que está disposto a usar tarifas como ferramenta de pressão econômica. Especialistas alertam que isso pode levar a retaliações e afetar o comércio global, incluindo as exportações brasileiras para outros mercados.

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