Guerra no Oriente Médio pressiona petróleo e dólar, alerta diretora do FMI
Guerra no Oriente Médio afeta economia global, diz FMI

Guerra no Oriente Médio pressiona economia global, alerta diretora do FMI

A economia mundial está "sendo testada mais uma vez" pelos conflitos no Oriente Médio, conforme destacou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, durante pronunciamento realizado nesta quinta-feira em Bangkok, na Tailândia. A executiva participava de uma conferência internacional focada no futuro da Ásia até o ano de 2050.

Incerteza como nova normalidade

"Vivemos em um mundo onde os choques são mais frequentes e mais inesperados", afirmou Georgieva, acrescentando que a instituição financeira tem alertado seus países-membros há algum tempo sobre essa realidade. "Temos alertado nossos membros há algum tempo que a incerteza agora é a nova normalidade", completou a líder do FMI, enfatizando o cenário volátil que se instalou.

O conflito atual teve início após uma série de bombardeios coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra alvos em Teerã, capital do Irã, no último sábado. Os ataques resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de outras autoridades iranianas de alto escalão, desencadeando uma onda de retaliações por parte do Irã contra Israel e nações do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas.

Sexto dia de confrontos e ações militares

A guerra entrou em seu sexto dia nesta quinta-feira, com trocas de fogo contínuas entre as forças iranianas e israelenses. Na quarta-feira, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, assumiu publicamente a autoria de um ataque histórico realizado por um submarino norte-americano.

O ataque submarino atingiu e afundou um navio de guerra iraniano próximo à costa do Sri Lanka, causando a morte de 87 militares e deixando outros 32 feridos. Hegseth classificou a ação como uma das poucas ocasiões desde a Segunda Guerra Mundial em que um submarino conseguiu afundar um navio de guerra.

Em coletiva de imprensa, o secretário afirmou que os Estados Unidos estão "vencendo a guerra" e detêm o controle absoluto do cenário de conflito. O Pentágono já prometeu novas ondas de bombardeios como parte da estratégia militar. "A Força Aérea do Irã não existe mais. A Marinha deles descansa no fundo do Golfo Pérsico. Eles estão acabados e sabem disso", declarou Hegseth de forma contundente.

Impactos diretos na economia e nos preços

A escalada das tensões e a eclosão da guerra no Oriente Médio estão exercendo pressão significativa sobre dois ativos fundamentais para a economia global: o preço do petróleo e a cotação do dólar. Esses efeitos já são sentidos de maneira concreta no Brasil, conforme análise de especialistas.

O barril de petróleo ultrapassou a marca de US$ 82 nesta semana, alcançando seu valor mais elevado desde janeiro de 2025. Um fator agravante é o fechamento do Estreito de Ormuz pelo governo iraniano, uma rota marítima crítica para o transporte global de petróleo. Analistas projetam aumentos substanciais nos preços nos próximos meses, o que deve pressionar diretamente os custos dos combustíveis no mercado interno brasileiro.

Paralelamente, a moeda norte-americana também registra valorização. O dólar comercial avançou 0,6% na segunda-feira, sendo cotado a R$ 5,16, e manteve tendência de alta na terça-feira. A alta do dólar impacta os preços de produtos e insumos importados, representando outro vetor de pressão inflacionária para a economia brasileira.

Efeitos em cadeia e perspectivas futuras

A combinação de dólar e petróleo mais caros eleva as expectativas de aumento nos preços de combustíveis e de energia elétrica. Esses aumentos têm efeitos indiretos e amplos, impactando setores como:

  • Transporte: com aumento nos custos de logística;
  • Indústria: com elevação nos custos de produção;
  • Agronegócio: com maior custo de insumos e frete.

Essa dinâmica pode limitar o ritmo de crescimento da atividade econômica doméstica. Economistas alertam que essa "mudança de preços relativos" de ativos estratégicos pode contaminar não apenas os preços correntes, mas também as projeções de inflação do mercado e das autoridades monetárias para os próximos anos.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, responsável por buscar o atingimento das metas de inflação, toma suas decisões com base em projeções de longo prazo, pois os efeitos das medidas de política monetária demoram entre seis e dezoito meses para se materializar plenamente na economia.

Atualmente, o Banco Central tem como objetivo, por meio da fixação da taxa básica de juros, alcançar a meta central de inflação de 3% em um horizonte de doze meses até setembro de 2027. O cenário de guerra e seus desdobramentos econômicos representam um novo e significativo desafio para essa trajetória.