Contestação judicial do acordo UE-Mercosul reacende incertezas em meio a guerra tarifária
Contestação judicial do acordo UE-Mercosul gera incertezas

A decisão do Parlamento Europeu de levar à justiça o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul reacendeu um clima de incertezas no cenário econômico internacional. Esse movimento ocorre em um momento particularmente delicado, marcado pelo possível aumento das tarifas entre Estados Unidos e Europa, o que amplifica as tensões comerciais globais.

Pressões políticas e protestos agrícolas travam avanço

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe e head de conteúdo da Nomad, o impasse reflete pressões políticas internas significativas dentro da União Europeia. A força dos protestos de agricultores europeus, especialmente em países como França, Polônia e Irlanda, tem sido um fator crucial. Esses grupos são contrários à maior concorrência de produtos sul-americanos, alegando competição desleal devido a diferenças regulatórias e ambientais.

Consequências práticas para ambos os lados

O resultado prático dessa contestação judicial, segundo Paula Zogbi, é uma perda para ambos os lados: Europa e Brasil. O setor agroalimentar aparece como o principal foco de resistência, o que tem travado o avanço do acordo e congelado uma votação que era esperada para os próximos meses.

Com isso, ficam suspensas perspectivas positivas que haviam animado empresas brasileiras, sobretudo exportadoras de alimentos. Analistas haviam revisado projeções e alimentado expectativas mais construtivas para investimentos e receitas, mas agora esse cenário se desfaz.

Impacto no mercado e na inflação doméstica

Embora o mercado não precificasse um cenário em que o acordo estivesse plenamente vigente no curto prazo, Paula destaca que parte do potencial de valorização, o chamado upside, sai da conta. Além de frustrar o otimismo de alguns setores, o congelamento reduz a chance de entrada de produtos mais baratos no Brasil.

Essa entrada poderia ajudar a aliviar a inflação doméstica, um ponto sensível para a economia brasileira. É um tiro no pé da Europa justamente quando os EUA endurecem tarifas, avalia a especialista, destacando a ironia do momento.

Oportunidades para outras economias

Nesse vácuo criado pelo impasse, outras economias podem se beneficiar. Países como China e Japão têm a chance de ocupar espaços comerciais deixados pela falta de avanço no acordo UE-Mercosul. Enquanto isso, o risco inflacionário volta ao radar dos investidores, preocupados com as repercussões globais dessas tensões.

O cenário atual, portanto, mistura incertezas jurídicas, pressões políticas domésticas na Europa e um contexto internacional já complicado por disputas tarifárias. A resolução desse impasse será crucial para definir os rumos das relações comerciais entre os blocos e seus impactos econômicos.