Dólar tem leve alta, mas ouro e prata disparam em dia de decisão do Fed
Ouro e prata disparam enquanto dólar tem leve alta

Dólar tem leve alta, mas ouro e prata disparam em dia de decisão do Fed

Nesta quarta-feira, conhecida como super quarta-feira nos mercados financeiros, o cenário global apresentou movimentos contrastantes. Enquanto o dólar teve uma recuperação modesta frente a algumas moedas, os metais preciosos, especialmente ouro e prata, registraram altas expressivas, refletindo a incerteza e as expectativas em torno das decisões de bancos centrais.

Decisões de bancos centrais influenciam mercados

O Federal Reserve Bank, o banco central dos Estados Unidos, definiu o nível dos juros na banda de 3,50% a 3,75% ao ano, em uma decisão aguardada com ansiedade. Antes disso, o Banco Central do Canadá manteve, pelo segundo mês seguido, a taxa básica em 2,25%, alegando aumento da incerteza na economia global. Essa postura repetiu o pedido de mesa do Bank of Japan, indicando uma provável pausa do Fed, apesar das pressões do presidente Trump por uma queda dos juros.

Essa situação aumenta as especulações sobre a escolha de Trump para o substituto de Jerome Powell na presidência do Conselho do Fed, cujo mandato acaba em maio. O Wall Street Journal aponta quatro candidatos:

  • O atual diretor Christopher Waller
  • A vice-presidente de Supervisão do BC, Michelle Bowman
  • O ex-diretor Kevin Warsh
  • O assessor econômico da Casa Branca Kevin Hassett

Segundo o WSJ, a dificuldade é que Trump busca um novo presidente que defenda suas exigências por taxas de juros mais baixas, mas que ainda tenha credibilidade suficiente em Wall Street e entre seus colegas para concretizá-las.

Movimentação das moedas e metais preciosos

Ante a possível pausa nos juros, o dólar teve uma ligeira recuperação sobre as principais moedas:

  • O euro caiu 0,57%
  • A libra esterlina caiu 0,40%
  • O dólar subiu 0,73% frente ao iene
  • O dólar subiu 1,12% frente ao franco suíço

Já o real brasileiro caiu 0,21%, cotado a R$ 5,1935, a menor cotação desde março de 2024. Em um ano, o dólar avançou 12,77% frente ao real. No entanto, o referencial do dólar como valor dos ativos financeiros e commodities continuou em baixa, com destaque para os metais preciosos.

O ouro, cotado a US$ 5,315 na Nymex, registrou alta de mais de 3,80% no dia, 9% na semana e impressionantes 90% em um ano. Maior avanço teve o contrato da prata, com alta diária de 8,43%, semanal de 22,36% e anual de 262%, números que chamam a atenção dos investidores.

Previsões para a Selic e inflação no Brasil

O Grupo Consultivo Macroeconômico da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais) prevê que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central vai manter a Selic em 15% ao ano na reunião desta quarta-feira, alinhado com a expectativa unânime do mercado. No entanto, entidades empresariais, como a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit), consideram aconselhável o Copom iniciar hoje o corte dos juros.

O grupo da Anbima ficou mais cauteloso quanto à baixa da taxa básica. A previsão é que ela seja reduzida gradualmente ao longo do ano até 12,50% em dezembro – em dezembro do ano passado, o grupo previa 12,00%. Para os economistas:

  1. O primeiro corte deve ocorrer na reunião de março, para 14,75%
  2. Em abril, a taxa deve chegar ao patamar de 14% ao ano
  3. Depois, são esperadas quatro reuniões com redução total de 150 pontos base, terminando o ano em 12,50%

As expectativas para a inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), se mantiveram em 4,0% para 2026. Vale lembrar que o teto da meta de inflação é 4,50%, sendo 3,00% a meta mais 1,50% de tolerância. Para o grupo consultivo, a depreciação do dólar no mercado global deve contribuir favoravelmente para o balanço de riscos inflacionários no Brasil. Por ora, a expectativa para a taxa de câmbio ao fim do ano ficou praticamente estável, passando a R$ 5,45 ante R$ 5,44 na previsão de dezembro.

Em resumo, o dia foi marcado por movimentos divergentes: enquanto o dólar tentava se recuperar, ouro e prata disparavam, refletindo a busca por ativos seguros em tempos de incerteza. As decisões dos bancos centrais e as previsões para a Selic no Brasil continuam a moldar o cenário econômico, com olhos atentos aos próximos passos do Fed e do Copom.