Bolsa bate novo recorde com Ibovespa acima de 170 mil pontos após discurso de Trump
Ibovespa supera 170 mil pontos em nova máxima histórica

Bolsa brasileira atinge novo recorde histórico com Ibovespa acima de 170 mil pontos

A Bolsa de Valores brasileira opera em forte alta nesta quarta-feira (21), marcando um novo capítulo em sua trajetória ascendente. Os investidores demonstram otimismo diante de um cenário internacional mais estável e de desenvolvimentos políticos domésticos que sinalizam maior competitividade eleitoral.

Discurso de Trump em Davos alivia tensões geopolíticas

As atenções do mercado financeiro global estiveram voltadas para o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Em sua fala, Trump descartou o uso de força para obter o controle da Groenlândia, classificando a iniciativa como um pedido pequeno por um pedaço de gelo.

Essa postura ajudou a aliviar parte das tensões geopolíticas recentes entre Washington e países europeus, que haviam provocado volatilidade nos mercados globais nos últimos dias. Antes disso, Trump havia ameaçado impor tarifas a oito nações europeias, levando o Parlamento Europeu a suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos.

Ibovespa atinge patamar inédito com forte entrada de capital

Por volta das 15h41, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, avançava impressionantes 2,5%, alcançando os 170.536 pontos. Este patamar de 170 mil pontos é inédito para o índice, que já havia renovado o recorde histórico pelo segundo dia consecutivo na terça-feira, quando fechou em 166.276 pontos.

O movimento é impulsionado por uma forte entrada de capital estrangeiro, beneficiando-se da percepção de menor risco geopolítico no cenário internacional. Segundo analistas, esse ambiente favorece a rotação global de capital para fora dos Estados Unidos, com o Brasil se destacando graças a:

  • Elevado diferencial de juros
  • Forte exposição a commodities
  • Avaliações consideradas atrativas

Pesquisa eleitoral contribui para otimismo doméstico

No cenário doméstico, o mercado também reage positivamente à pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã. O levantamento mostrou redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em eventuais disputas de segundo turno.

Embora Lula siga liderando todos os cenários eleitorais, a redução da diferença para candidatos vistos como mais alinhados ao mercado reforça a percepção de maior competitividade eleitoral. Para investidores, isso sinaliza a possibilidade de uma alternância de poder a partir do próximo ciclo, aumentando o apetite por ativos domésticos.

Desdobramentos da liquidação do grupo Master seguem no radar

Outro ponto de atenção para os investidores são os desdobramentos da liquidação extrajudicial da Will Financeira, braço digital do Banco Master. O Banco Central havia preservado o Will Bank inicialmente ao decretar a liquidação do Banco Master em novembro, diante da expectativa de encontrar compradores.

Como essa expectativa não se concretizou, o regulador tomou a decisão final após o banco deixar de honrar compromissos com participantes da cadeia de cartões, incluindo a bandeira Mastercard.

Dólar recua enquanto mercados internacionais se estabilizam

No mercado de câmbio, o dólar recuava 1,07%, cotado a R$ 5,32. Nos mercados internacionais, a percepção de menor risco geopolítico contribuiu para a queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e para a estabilização dos títulos japoneses.

Segundo Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio, esse movimento ajudou a reverter o estresse observado na véspera sobre divisas de países emergentes, criando um ambiente mais favorável para moedas como o real brasileiro.

Perspectivas para continuidade do fluxo de investimentos

Analistas destacam que a alocação em mercados emergentes segue em níveis historicamente baixos nos portfólios globais, o que abre espaço para a continuidade do fluxo de investimentos para o Brasil. A combinação de fatores internacionais e domésticos cria um cenário propício para que a Bolsa brasileira mantenha sua trajetória de valorização.

O mercado segue atento aos próximos desdobramentos políticos tanto no Brasil quanto no exterior, que continuarão a influenciar os movimentos dos investidores nas próximas sessões.