Ibovespa cai com frustração após decisões de juros e temor inflacionário global
Ibovespa cai com frustração após juros e temor inflacionário

Ibovespa registra queda com frustração do mercado após decisões de juros

O Ibovespa opera em queda nesta quinta-feira, 19 de março de 2026, refletindo a frustração dos investidores com o ritmo mais lento do que o esperado para os cortes de juros, após as decisões do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro. O mercado também demonstra apreensão diante da disparada do petróleo, impulsionada por ataques entre Irã e Israel a bases de gás e petróleo, o que aumenta as preocupações com a inflação global.

Queda do índice e cenário internacional

Por volta das 11h47min, o Ibovespa recuava 0,61%, aos 178.528,30 pontos. A decisão do Fed, anunciada na quarta-feira, manteve a taxa básica de juros americana no intervalo entre 3,5% e 3,75%. No comunicado, a autoridade monetária não descartou ajustar sua política caso a guerra no Oriente Médio dificulte o cumprimento da meta de inflação.

André Valério, economista sênior do Inter, destacou que a decisão foi quase unânime, com apenas um voto dissidente, o que indica uma postura levemente mais hawkish (restritiva). "O fato de ter havido apenas um dissidente implica uma postura levemente mais hawkish", afirmou Valério. Em janeiro, cerca de 60% do mercado precificava um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho, mas o cenário mudou com a guerra.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Revisão das expectativas de juros

Após o comunicado do Fed, a plataforma FedWatch, da Bolsa de Chicago, passou a indicar divisão nas apostas: cerca de 35,7% dos investidores esperavam a manutenção dos juros no nível atual até o fim de 2026, enquanto 40,6% projetavam um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de dezembro. Assim, o mercado oscila entre o intervalo de 3,25% a 3,5% e a manutenção entre 3,5% e 3,75%, acima da projeção predominante em janeiro.

Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, afirmou que o banco central americano tem demonstrado maior preocupação com a inflação. "Com isso, as expectativas do mercado futuro para cortes de juros perderam força ao longo do ano, pressionando os ativos locais", explicou.

Decisão do Copom e tom dividido

Além da decisão nos Estados Unidos, o Copom do Banco Central brasileiro também anunciou sua decisão na quarta-feira, reduzindo a Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% ao ano para 14,75% ao ano. Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, avaliou que o Copom adotou um tom relativamente dovish (acomodatício), ainda que condicional, ao enfatizar a dependência dos próximos passos à evolução do cenário.

"Em particular, o comitê destacou a relevância dos desdobramentos geopolíticos e de seus efeitos sobre a dinâmica inflacionária e as expectativas", afirmou Oliveira. Para ele, o ciclo de flexibilização deve prosseguir de forma gradual, com cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões, refletindo o elevado grau de incerteza.

Já Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, avaliou que o tom foi mais duro, devido à ausência de guidance para a próxima reunião. "Ainda há espaço para um novo corte, mas isso dependerá da evolução da inflação e, principalmente, dos efeitos do cenário internacional sobre as projeções do Banco Central", disse.

Impacto do petróleo e cautela do mercado

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirmou que o mercado passou a precificar um ritmo mais lento de cortes de juros, especialmente com o petróleo pressionando a inflação. "Esse movimento também aparece nos juros futuros, que sobem justamente porque o prêmio de risco aumenta. Se essa dinâmica continuar, o Banco Central tende a manter uma postura mais cautelosa", concluiu.

Em resumo, a alta do petróleo e o risco inflacionário levaram à revisão para cima das expectativas para os juros americanos, enquanto o tom do Copom divide o mercado brasileiro, com investidores ajustando suas projeções diante de um cenário global incerto e volátil.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar