O dólar iniciou a sessão desta sexta-feira (23) com uma leve valorização, registrando alta de 0,10% nos primeiros negócios e sendo cotado a R$ 5,2897. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, prepara-se para abrir às 10h, após um desempenho excepcional na véspera.
Cenário econômico e atenção ao exterior
Com uma agenda econômica doméstica mais enxuta, os investidores voltaram a direcionar seu foco para os dados provenientes dos Estados Unidos e para o comportamento recente dos ativos globais. Indicadores de atividade, sinais de menor tensão geopolítica e o desempenho das bolsas internacionais ajudam a compor o panorama cuidadosamente acompanhado pelo mercado.
Dados dos Estados Unidos em análise
Nos Estados Unidos, os investidores estão analisando os índices de gerentes de compras (PMI). Em dezembro, o indicador que agrega indústria e serviços recuou de 54,2 para 52,7, ficando abaixo da leitura preliminar, que era de 53. Esse dado reflete a dinâmica da atividade econômica na maior economia do mundo.
Alívio nas tensões geopolíticas
Na véspera, as bolsas globais apresentaram avanços significativos após declarações do presidente Donald Trump. O republicano descartou o uso de força militar para anexar a Groenlândia e suspendeu tarifas que estavam previstas para oito países europeus. Essas medidas contribuíram para reduzir a percepção de risco entre os investidores, criando um ambiente mais favorável.
Desempenho histórico do Ibovespa
No Brasil, o Ibovespa encerrou a quinta-feira com uma alta expressiva de 2,20%, fechando em 175.589,35 pontos. Esse valor representa o maior nível de encerramento da história do índice. Desde a abertura da semana, na segunda-feira (19), o Ibovespa acumulou uma valorização de quase 11 mil pontos, demonstrando uma força notável.
Durante o pregão de quinta-feira, o índice também renovou sua máxima histórica intradiária, ao alcançar a marca de 177.741,56 pontos. Esse desempenho robusto foi sustentado por ações de grande peso no índice. A Petrobras registrou alta de 0,69%, a Vale avançou 0,58% e o Itaú apresentou uma valorização de 3,38%.
Acumulados da semana e do mês
Dólar:
- Acumulado da semana: 1,65%
- Acumulado do mês: -3,73%
- Acumulado do ano: -3,73%
Ibovespa:
- Acumulado da semana: +6,55%
- Acumulado do mês: +8,98%
- Acumulado do ano: +8,98%
Tensão entre EUA e Europa
Na quarta-feira, após um discurso bastante crítico à Europa durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente americano Donald Trump afirmou ter alcançado um acordo sobre o futuro da Groenlândia junto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em publicação no Truth Social, Trump declarou: "Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e, na prática, a toda a região do Ártico".
O republicano também destacou que, caso essa solução seja concretizada, "será muito positiva para os EUA e para todos os países da Otan". Com base nesse entendimento, Trump decidiu recuar das tarifas de 10% impostas a países europeus no último sábado, que eram uma retaliação à contrariedade dessas nações sobre a possível aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos.
Entretanto, nesta quinta-feira, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, esclareceu que o acordo não prevê cessão de soberania e estabelece apenas que os membros da organização poderão intervir no Ártico em caso de ameaças à segurança da região. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reforçou que "não houve negociação com a Otan ontem sobre soberania". A porta-voz da Otan, Allison Hart, também negou que a soberania tenha sido discutida, afirmando: "O secretário-geral não propôs qualquer compromisso em relação à soberania durante sua reunião com o presidente em Davos".
Agenda econômica dos Estados Unidos
PIB e preços no terceiro trimestre de 2025
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos avançou a uma taxa anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025. Essa informação faz parte da segunda estimativa divulgada nesta quinta-feira pelo Departamento de Comércio dos EUA. Essa atualização substitui a terceira estimativa do período, que estava prevista para 19 de dezembro de 2025, mas não foi publicada devido à recente paralisação do governo americano, conhecida como shutdown.
Segundo o próprio departamento, a interrupção das atividades afetou o calendário oficial de divulgação dos dados econômicos. Na primeira leitura do PIB, divulgada em dezembro após o fim do shutdown, o crescimento da economia americana havia sido estimado em 4,3% no terceiro trimestre.
Já o índice de preços de gastos com consumo, conhecido como PCE, avançou 2,8% no terceiro trimestre, segundo dados revisados, repetindo o resultado divulgado anteriormente. O núcleo do PCE, que desconsidera itens mais voláteis como energia e alimentos, teve alta de 2,9%, também em linha com a leitura prévia.
Pedidos semanais de auxílio-desemprego
De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em apenas 1 mil na semana encerrada em 17 de janeiro, chegando a 200 mil solicitações após ajuste sazonal. Economistas consultados pela Reuters esperavam um número maior, de cerca de 210 mil pedidos.
Nas últimas semanas, esses dados têm apresentado oscilações devido às dificuldades de ajustar os números ao período de festas de fim de ano e à virada do calendário. Ainda assim, os economistas avaliam que o mercado de trabalho permanece em um cenário de "baixa contratação e baixa demissão". Isso significa que as empresas não estão contratando de forma intensa, mas também não estão promovendo demissões em massa.
Esse comportamento, segundo analistas, está ligado às políticas mais duras de comércio e imigração adotadas por Trump, que reduziram tanto a oferta quanto a procura por trabalhadores. Além disso, muitas empresas ainda hesitam em ampliar suas equipes, já que estão investindo fortemente em inteligência artificial.
Desempenho das bolsas globais
Mercado em Wall Street
O mercado em Wall Street fechou em alta, aproximando-se de suas máximas históricas, depois que Trump reduziu sua ameaça de tarifas sobre os países europeus, enquanto novos dados apontaram para uma economia resiliente. O Dow Jones Industrial Average avançou 0,63%, aos 49.384,01 pontos, o S&P 500 subiu 0,55%, aos 6.913,35 pontos, e o Nasdaq Composite teve alta de 0,91%, aos 23.436,02 pontos.
Mercados europeus
Na Europa, os mercados também reagiram de forma positiva ao alívio no cenário internacional. Os principais índices europeus fecharam em alta, com o STOXX 600 subindo 1,03%. Entre os mercados nacionais, o DAX da Alemanha avançou 1,20%, o CAC 40 da França teve alta de 0,99%, o FTSE MIB da Itália ganhou 1,36% e o FTSE 100 de Londres subiu 0,12%.
Mercados asiáticos
Na Ásia, os mercados encerraram o dia com leves ganhos. Em algumas praças, as altas foram impulsionadas por setores ligados à indústria aeroespacial e à energia, que compensaram perdas em empresas de metais, afetadas pela queda do ouro. No fechamento, os resultados foram mistos, mas predominantemente positivos.
Em Xangai, o índice SSEC subiu 0,14%, enquanto o CSI300 avançou 0,01%. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 0,17%. Já em outros mercados asiáticos, o Nikkei de Tóquio avançou 1,7%, o KOSPI de Seul ganhou 0,87%, o índice de Taiwan subiu 1,60% e o Straits Times de Singapura teve valorização de 0,33%.
Em um contexto mais amplo, vale destacar que o dólar já atingiu a segunda maior cotação da história, chegando a R$ 5,86 em momentos anteriores, o que ilustra a volatilidade e a importância de acompanhar de perto os movimentos do mercado financeiro.