O cantor e compositor Djavan deu início, nesta semana, à turnê que comemora seus 50 anos de trajetória musical. O pontapé inicial foi em São Paulo, mas a agenda inclui apresentações no Rio de Janeiro nos dias 1, 2 e 8 de agosto. O projeto percorrerá diversas regiões do Brasil, além de países da Europa, África e América do Sul.
Antes da estreia, Djavan concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Hoje, abordando temas como música, inspiração, ancestralidade, televisão, futebol e sua intensa relação com o processo criativo. Na véspera do Dia das Mães, ele também expressou toda sua admiração por sua mãe, afirmando: "Me ensinou tudo".
O futuro e a chama da criação
Questionado sobre o que espera dos próximos 50 anos, Djavan respondeu: "O que eu enxergo é que a minha predisposição de compor e criar novas canções se mantenha intacta. É isso que me mantém na vida: fazer canções novas, cantar e levar essa música para um público tão diverso e tão generoso comigo."
Para manter acesa a chama da criação, ele destaca a importância do público: "Eu me sinto muito privilegiado por ter um público tão grande e tão ávido por ouvir, aprender e querer saber o que vem pra frente."
Visão de mundo e influências culturais
Sobre o mundo atual, Djavan refletiu: "O mundo é algo muito interessante exatamente pelos perigos e pelas oportunidades que ele propõe. Tenho uma certa tristeza com a política, por exemplo. Mas o mundo está coberto de novidades. Viajo o mundo inteiro e observo o quanto a cultura que ele propõe para você crescer e evoluir não cessa."
Ele citou influências de países como Cuba, Inglaterra, países latinos e do leste europeu, mas ressaltou que o Brasil é a maior fonte de aprendizado cultural. "A gente vive num país que propõe um aprendizado cultural cada vez mais denso."
Ancestralidade africana e formação musical
Djavan falou sobre sua conexão com a África: "Eu sempre tive com a cultura negra e africana uma proximidade ancestral. A música negra sempre foi a música em mim. Tenho esse DNA musical completamente advindo da África."
Ele também lembrou que sua identidade musical não se formou apenas pela música africana. Aos 13 anos, conheceu o médico Ismar Gatto, que lhe disponibilizou uma discoteca em casa. "Ali eu ouvi jazz, música americana, música francesa, música flamenca... aquilo me trouxe tudo."
Da dúvida à certeza: futebol ou música?
Djavan revelou que a certeza de seguir a música veio aos 16 anos, quando descobriu o instrumento. Antes disso, vivia em dúvida entre ser jogador de futebol ou músico. "Jogava muito bem e todo mundo achava que eu ia ganhar a vida com aquilo. Eu adoro futebol até hoje."
O papel da mãe e a relação com a televisão
O cantor destacou a importância de sua mãe em sua formação: "Ela cantava, fazia versos, fazia uma música para cada filho que nascia. Minha mãe me ensinou tudo. Disse pra mim: ‘Filho, você vai ser cantor’. Eu tenho uma estrutura emocional e ética maravilhosa graças à minha mãe."
Sua carreira é fortemente ligada à televisão brasileira. Começou em 1974, gravando temas de novelas de outros autores, até chegar em 'Alegre Menina', de Dori Caymmi com letra de Jorge Amado, na novela 'Gabriela'.
Música predileta e o processo criativo
Quando perguntado sobre sua música predileta, Djavan respondeu: "Se eu tivesse, eu não diria. Todas as músicas nascem de maneira igual. Eu tenho um grande amor por todas."
Sobre a dor de compor, ele descreveu: "Física mesmo. Dói a perna, dói o quadril. Você fica ali absorto naquilo. E tem também a coisa do pensar, de mergulhar nas histórias. É tirar leite da pedra."
Contemplação e possibilidade de livro
Djavan afirmou que sua mãe lhe ensinou o poder da contemplação. "Aprendi a contemplar o firmamento, as plantas, o mundo. As pessoas me interessam muito."
Questionado se se considera um poeta, ele disse: "Eu me considero uma pessoa que adora a palavra, a escrita. Talvez um dia eu pare tudo para escrever simplesmente." E acrescentou que um livro pode vir "em algum momento".
Nervosismo antes da turnê
Às vésperas da turnê de 50 anos, Djavan admite que ainda fica nervoso. "Fico. E acho o nervoso bom. Eu quero que seja uma coisa que, quando eu voltar para casa, eu volte feliz."



